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Opinião

João Lourenço: Entre avançar ou recuar

Walter Ferreira

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No início da pré campanha do MPLA em 2017, ouvimos do candidato João Lourenço, a necessidade de combater a corrupção, embora de forma pouco disseminadora naquela altura, foi no início oficial da campanha eleitoral onde a narrativa do combate a corrupção ganhou preponderância na sua abordagem política.

Militantes e dirigentes do MPLA ficaram cépticos ao anunciar desta empreitada que vinha a se consolidar em todos os comícios políticos, é por esta razão que uma certa ala se tornou indiferente ao novo propósito do seu candidato a presidente da República.

Não menos importante foi a estranheza da sociedade que reagiu na dúvida tal desafio de combater a corrupção, pelas razões de desgaste, inoperância, ou ainda mesmo de autoridade em que se encontrava o partido por muitos anos.

Se por um lado a corrupção é a grande preocupação da crise moral na sociedade, é também a cobertura da impunidade, tudo isto afecta a economia, e consequentemente inibe as condições de desenvolvimento sustentável.

Corrupção, impunidade, e repatriamento de capitais ilicitamente saídos do país, foram as propostas públicas veiculadas pelo presidente João Lourenço ainda em sede da Campanha eleitoral, e mais tarde na condição de chefe de Estado e titular do poder executivo.

É nesta última condição que começa a praticar os actos de decisão política, não apenas com autoridade e legitimidade revestida, mas sim combinando com autenticidade e coragem de realizar a sua palavra dada em vésperas da campanha eleitoral do seu partido.

Foi numa reunião do comité Central do MPLA onde João Lourenço no seu discurso dizia que esta luta do combate a corrupção, teria de ser levada a sério mesmo que os primeiros a serem penalizados fossem altos dirigentes do MPLA.

A novidade no seu discurso foi quase ” ignorada, ” ou até menosprezada, por alguma ” elite poderosa economicamente ” . O combate aos monopólios em sectores relevantes na economia foram desarticulados, tornado-se evidentes a concentração de oportunidades, e favorecimentos, a um grupo social que ligado ao poder político anterior perdem os privilégios conquistados por via da visível impunidade republicana.

Chegamos no grande dilema :

JOÃO LOURENÇO pode avançar, ou recuar ?

O estado de direito só tem eficácia com a postura de um poder moderador ( Presidente da República) , ou seja a visão e a verticalidade de um estadista é que podem harmonizar todo um sistema judicial que hoje se sente mais capaz e ousado para prosseguir com a realização da justiça.

Do ponto de vista político, os actos praticados pelo presidente da República João Lourenço, podem significar uma descontinuidade hegemônica do MPLA, por colocar em crispação as tendências de colisão que procuram reivindicar algum estatuto conquistado pela emancipação do poder.

É no povo que o presidente João Lourenço deve fazer esforços de concretizar uma boa governação, se a causa da sua missão for para reposicionar um ambiente de liberdade na sociedade onde a iniciativa privada seja de concorrência pela meritocracia. Caberá ao MPLA compreender que para cada contexto é necessário uma afirmação colectiva e mobilizadora ao interesse Nacional.

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