África
João Lourenço alerta para “retrocesso democrático” e condena golpes de Estado em África
O Presidente da República de Angola e da União Africana, João Manuel Gonçalves Lourenço, manifestou hoje, 23, profunda preocupação com o recrudescimento dos golpes de Estado em África, considerando-os um grave retrocesso às conquistas democráticas alcançadas no continente nas últimas décadas.
Ao discursar na cerimónia de cumprimentos de Ano Novo do Corpo Diplomático, o Chefe de Estado angolano afirmou que a consolidação de regimes democráticos e constitucionais em África retira argumentos aos promotores de mudanças inconstitucionais de governo, frequentemente usadas para justificar a tomada do poder pela força.
João Lourenço defendeu o reforço urgente de medidas de desencorajamento e condenação dos golpes de Estado, classificando essas práticas como “reprováveis a todos os títulos”, face à sua recorrência em vários países africanos.
No seu pronunciamento, o Presidente angolano exigiu a libertação imediata e incondicional do Presidente deposto do Níger, Mohamed Bazoum, afastado do poder por via de um golpe militar, bem como de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, na Guiné-Bissau.
Sobre o caso guineense, João Lourenço lamentou o facto de, num episódio considerado inédito em África, os resultados das eleições nunca terem sido oficialmente divulgados, colocando em causa a transparência e a credibilidade dos processos eleitorais no continente.