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Opinião

JES não foi nem é nenhum santinho

Ana Margoso

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Numa entrevista concedida à agência LUSA, a deputada do MPLA, Tchizé dos Santos, afirmou alto e bom som que ao passar o poder e fazer a transição, Jose Eduardo dos Santos pretendeu “consolidar e consagrar a democracia”
“Não se volta a candidatar, faz uma transição no poder, porque queria em vida ver a consolidação e a consagração dessa democracia que hoje em dia é irrefutável”, atira.

As declarações da representante do povo só podem ser compreendidas pelo facto de a mesma ser “filha do seu Pai”. Porque quem viveu na pele os 38 anos de governação de Eduardo dos Santos deve-se ter rido destas declarações que se pode considerar de “apaixonantes”.

Quem viveu o reinado do segundo Presidente de Angola sabe perfeitamente que, Jose Eduardo dos Santos, nunca foi santo, e ate se pode mesmo arriscar, dizer que o homem era averso a democracia.
Um amante da democracia jamais esperaria 38 anos para deixar o poder.

Um amante da democracia jamais apadrinharia a perseguição, detenção e assassinato de todos os que não comungavam das suas ideias.

JES não largou o poder porque “queria consolidar a democracia”. Pura mentira. JES largou o poder porque já não controlava a maquina, largou o poder porque os seus mais próximos colaboradores abusavam da sua fragilidade própria da idade.

O ex-Presidente morria de medo de ter o mesmo fim que muitos dos seus companheiros africanos, que só largaram o poder por via de golpes de Estado.

Nos últimos tempos, JES tinha medo até da sua própria sombra. Não nos venham com mentiras descaradas.

Se calhar por ingenuidade ou cegueira próprio dos laços sanguínios, a senhora deputada não deve saber, que por culpa de um acumular de actos negativos, JES não tem dignidade para constar da lista dos que muito fizeram por Angola.

Se podemos considerar como verdade o facto de JES ter promovido a reconciliação nacional, depois de ter feito a guerra, e depois ter dado ordem para a liquidação no terreno do seu principal inimigo, Jonas Savimbi, “ressurgiu das cinzas”, qual Fenix, como o verdadeiro “salvador da pátria”, ao decretar clemência aos seus então ex-inimigos.

Não podemos aceitar de ânimo leve que a senhora deputada nos venha dizer que o seu pai é o promotor da democracia, quando todos sabemos como nos trinta e oito anos de poder JES lidou com os seus opositores.

Se a senhora deputada está a sofrer de algum tipo de amnésia, nós estamos aqui para lhe avivar a memória.

Claramente que não podemos dizer que JES nada fez por Angola, mas não nos podemos esquecer do retrocesso que o país assistiu ao longo do tempo que esteve à-frente do destino do país.

Comparando as estatísticas do tempo em que Angola era uma provincial ultramarina de Portugal, e olhando para os numerous actuais, a nobre deputada certamente see admirará da descrepância.

Hoje Angola é vista no mundo pelos piores motivos: um dos piores países para uma criança nascer, um dos países com maioria número de mortalidade materno-infantil,etc, etc…

Só por ai se deve perceber que é tempo de todos nos unirmos e trabalharmos para uma Nova Angola, e discordo completamente da ideia de que os culpados devem ser perdoados em nome da reconciliação nacional.

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