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Opinião

Israel: A anexação e as eleiçõs

Por: Edson Kassanga

Redação

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- Edson Kassanga  - Israel: A anexação e as eleiçõs

Mais uma vez, Israel atrai olhares alarmantes da sociedade internacional com o anúncio de uma pretensão que pode, de uma vez por todas, deitar por terra todos os esforços atinentes à  resolução do tão longo, bastante complexo e propalado conflito Israelo-palestiniano. No dia 10 do presente mês e ano, Benyamim Netanyahu, actual  primeiro-ministro israelita, anunciou a sua pretensão de anexar o Vale do Rio Jordão, território pertencente a Palestina de acordo ao Direito Internacional, provocando inúmeros pronunciamentos de lideres de Estados e de Organizações Intergovernamentais, cujo ponto em comum foi a dissuasão da já referida pretensão. Mas antes de continuar a abordagem sobre mais elementos ligados a esta anexação, impõe-se uma paragem para relembrar, resumidamente, aspectos importantes inerentes ao conflito Israelo-palestiniano.

O conflito Israelo-palestino, de cariz religioso e histórico, surgiu pela disputa da região da Palestina, situada entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, e há muito que tem sido um motivo de tensão entre, digamos, palestinos judeus (Isrealistas) e palestinos árabes. O conflito recrudesceu no fim da Segunda Guerra Mundial quando uma grande quantidade de judeus, maior parte deles atiçados pela crueldade do Holocausto Nazi, “avançou aos territórios da região da Palestina, em busca da terra prometida, na altura já habitada por 500 mil árabes” (site Mundo da Educação). Os judeus reivindicam a mesma área por ter pertencido aos seus antepassados, antes destes serem expulsos pelo Império Romano no século III D.C. Acreditam que a área onde foi fundado o Estado de Israel é a Terra Prometida por Deus ao primeiro patriarca:Abraão.

Entretanto os palestinos afirmam que quando os judeus chegaram do Egipto e atravessaram o Rio Jordão, eles já lá estavam e, ao recebê-los, eles os consideraram como pessoas que haviam atravessado o rio Jordão ” Hebreu” e que o profeta Moisés viveu no Egipto, Abraão era do actual Iraque e que Jesus Cristo foi um judeu que nasceu na Palestina. Assim, por estes motivos o conflito foi crescendo-pelas as guerras que causou, pelo numero de mortes, pelo número de países que nela envolveram-se, poder de fogo dos armamentos entregues, pelas diversas potências que tiveram um papel decisivo no conflito com destaque para o império britânico, etc-até ser levada às Organizações das Nações Unidas.

Com vista a dar uma solução mais consensual para ambas partes, a ONU estabeleceu, em 1947, um Estado Duplo à região em disputa, determinando que quase metade da mesma fosse ocupada por cada povo e Jerusalém ficaria sob gestão internacional, já que, é tida  pelos palestinos e israelitas como sede das suas religiões. Porém, Israel exponencialmente apoiado pelos EUA,  vem ocupando áreas para além da que foi aprovada pelas ONU, estreitando o território da Palestina.

Voltando ao assunto da anexação, vale dizer que o Vale do Rio Jordão, território de 2400 quilómetros quadrados,  é parte integrante da Cisjordânia e foi ocupado -tal como os Montes Golã,  Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza-por Israel depois de sagrar-se vitorioso na Guerra dos Seis Dias (1976), tendo derrotado uma coligação de forças de países árabes como a Síria, Egipto, etc. Além dos colonatos (locais onde vivem civis israelitas gozando de privilégios que o seu Estado não concede a quem vive dentro dos limites territoriais do país) instalados nesta parcela de terra, nela habitam cerca de dois milhões de palestinos sob fortes restrições de movimentos.

A intenção de Netanyahu é tornada pública numa fase em que a sua popularidade está em queda por questões politico-eleitorais e Judiciais.  Só nas últimas eleições legislativas, Abril último, o seu partido de direita, Likud, por pouco teria perdido, tendo vencido com 26.47% dos votos enquanto o bloco Azul e Branco (centro-esquerda), liderado por Benny Gantz, alcançou 26.11%. Ainda assim, Netanyahu não foi capaz de formar governo, ou seja, uma coligação governamental com pelo menos 61 membros devido, sobretudo, a perca do apoio do partido Nossa Casa que conseguiu votos correspondentes a 05 dos 120 deputados de que está constituído o parlamento israelita (Knesset). Além de disso, o primeiro-ministro enfrenta um processo de corrupção cuja audiência está marcada para Outubro deste ano.Consequentemente, as actuais sondagens apontam um empate técnico. Segundo o site RFI Brasil, o Likud e a lista Azul e Branco “têm ambos  25% das intenções de voto”. Pelos factos acima retratados vários especialistas neste assunto, vêem o anuncio da anexação do Vale do Jordão como um acto desesperado de Benyamim Netanyahu para vencer as próximas eleições. Ademais, o mesmo terá dito:- “Desde a guerra dos Seis Dias (1967) que não temos esta oportunidade e duvido que voltaremos a tê-la nos próximos 50 anos. Dêem-me o poder para garantir a segurança de Israel.” (Público-10/09/19). A oposição entende tal pronunciamento como uma dissimulação para o premier vencer as eleições, porque já teve muitas oportunidades para tal e não o fez.

Entretanto, caso a anexação não venha ser apenas uma manobra para ganhar as eleições, ou melhor, se Netanyahu vencer, fazendo história como o Chefe de Governo por mais tempo no cargo, e anexar o Vale do Jordão, espera-se uma escalada de violência sem precedentes, em atenção as demasiadas consequências materiais e humanas que o conflito Israelo-palestiniano já causou. Este tem sido o grande receio de todos quanto se mostraram contra a anexação. Logo, a anexação  pode tanto tornar Israel mais seguro como mais inseguro e cada eleitor irá refletir sobre estas opções na hora de votar. Dito de outra forma, o anúncio da intenção de anexar o Vale do Jordão pode ter um efeito contraproducente para Netanyahu. 

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