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Cultura

Ismael Mateus defende refundação da União dos Escritores Angolanos

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O jornalista e escritor Ismael Mateus defendeu, nesta quarta-feira, 14, a necessidade de se refundar a União dos Escritores Angolanos, para conferir maior dignidade e profissionalização dos escritores membros.

O escritor falava, hoje, no habitual debate Quinzenal ‘Maka à quarta-feira’, que decorreu entre às 17h e às 20h na sede da União dos Escritores Angolanos, no Largo das Escolas em Luanda.

Segundo Ismael Mateus, tem faltado oportunidade para se abordar de forma profunda a refundação da União dos Escritores Angolanos, por isso defende que se deve analisar, antes, o tipo de refundação a ser feita, a olhar pelos novos desafios. Entretanto, sublinha que a sua ideia de se refundar a UEA não significa abandono ou exclusão de membros, mas a busca de sinergias para traçar um caminho para o bem dos escritores.

O escritor recorreu aos estatutos, que na sua visão devem ser revistos, para que a UEA, além de representar, passe também a desempenhar o papel de incentivador de criação literária e de propiciar novos escritores, transformando-se assim, numa instituição de interesses sociais, com base nas ideias genéricas.

“mais do que representar, a União dos Escritores Angolanos deve o escritor e a obra do escritor para fazer do escritor e da sua obra o ponto central da profissionalização do seu trabalho, olhando para a necessidade de sobrevivência do autor”, disse o também jornalista.

Entretanto, apontou três factores que no seu entender são essenciais na possível refundação da UEA, que passam por valorizar o escritor e o seu trabalho intelectual, garantir a sobrevivência do escritor através da profissionalização da actividade de escrita literária, bem como combater a banalização dos escritores.

Os “10% que o escritor recebe da editora pela sua própria obra é um desrespeito do autor e é preciso que exista uma instituição capaz de defender a valorização”, desabafou indignado.

Por esta razão, defende a ideia de que se deve mudar a ideia de que ser escritor é por lazer, feito nas suas horas gavas.

“Mesmo que não seja a primeira actividade, a escrita literária tem de ser importante”, sublinhou.

 Ismael Mateus defende a ideia de uma melhor dinamização da União dos Escritores Angolanos, para torna-la mais activa e actuante, tendo proposto a criação de pontos e clubes de leitura, incluindo nas cadeias, através firmação de acordo com os serviços prisionais, ainda feiras de livros, palestras e seminários, bem como a criação de mecanismos para a promoção de livros de autores associados da União dos Escritores Angolanos. Apontou igualmente a criação de prémios em várias categorias de escrita literária para melhor valorizar e motivar os escritores associados da UEA.

Como pontos a ter em conta na refundação da União dos Escritores Angolanos, Ismael Mateus três objectivos estratégicos, nomeadamente, a garantia de que todos os escritores possam viver da actividade literária, através da profissionalização da escrita, a promoção do ensino da literatura nos vários subsistemas de ensino do país e a capacidade de atender as necessidades do mercado de proporcionar livros garantam a qualidade mínima exigida.

Lamentou, no entanto, a questão da precarização do trabalho dos escritores que surge do valor percentual (10) que é atribuído aos autores pelas editoras, com base numa lei, que no seu ponto de vista deve ser revisto.

O escritor bordou também a questão dos preços dos livros no mercado.  Disse que do pinto de vista material, o livro em Angola não é caro, recorrendo a analogia com o preço do tratamento das unhas e de uma grade de cerveja, que demonstrou serem mais caro em relação ao livro.

A promoção da imagem do escritor, com base numa conduta social pré-definida pela União dos Escritores Angolanos, é igualmente um ponto defendido pelo escritor Ismael Mateus.

O também jornalista mostrou-se indignado com o facto de quota mensal estipulada para os membros e associados ser de 500 (quinhentos) kwanzas, tendo defendido a elevação do valor para permitir que com as quotas seja possível a união cobrir as suas despesas correntes.

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