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Politica

Isaías Samakuva volta a agitar as ‘águas’ na UNITA com convocação da imprensa

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Antigo presidente da UNITA, que acabou por substituir a Jonas Savimbi (após este ter sido morto) através de um processo eleitoral interno em 2003, tem até ao momento porta aberta no Palácio da Colina de São José, de onde aparentemente nunca recebeu ‘NÃO’ desde que João Lourenço passou a ocupar a residência.

A UNITA, maior partido na oposição, refere que o MPLA vivencia um período de crise grave de liderança, e antevê que João Lourenço poderá ser substituído da liderança do partido no Congresso Extraordinário marcado para Dezembro próximo. O partido de Adalberto Costa Júnior sustenta sua previsão por um lado pela convocação de um conclave não previsto numa altura em que o congresso nos timings estatutários deve ocorrer em ano e meio, bem como o surgimento de anúncios de candidaturas antecipadas ao nível dos ‘camaradas’, um facto nada tradicional nas hostes do partido com sede na Avenida Ho Chi Minh.

Entretanto, a própria UNITA, que adivinha convulsões em ‘quintal alheio’, também não terá se esquecido ainda da crise que vivera entre 2021 e 2022, em que Isaías Samakuva parecia estar a liderar uma UNITA paralela à da direcção, o que gerou ataques verbais violentos (nas redes sociais) entre os militantes do partido, concentrados em trincheiras opostas. Alguns jovens activistas alheios ao partido, também entraram na briga, mas vilipendiando a ala samakuvista.

Se até ao momento o MPLA consegue ludibriar a opinião pública sobre a crise vista pelos ‘maninhos’, a UNITA já deu mostras de não dispor de mecanismo dissuasor que venha a impedir seus militantes a ‘lavar a loiça suja’ fora de casa. E teme-se que o regresso de Isaías Samakuva aos holofotes de forma independente volte a criar um fantasma contra a direcção do partido.

Numa nota de imprensa que deu entrada às redacções, Isaías Samakuva, que já está fora da estrutura directiva da UNITA, convoca a imprensa de forma independente para uma conferência para esta manhã (terça-feira,02), sem detalhar o assunto. O facto já está a criar alergias nos corredores da mais importante infra-estrutura do partido na Maianga, em Luanda.

É que, desde que largou a presidência da UNITA, cargo que ocupou por quase duas décadas, Isaías Samakuva, nunca veio a público demonstrar quer apoio ao partido, quer apoio ao seu presidente Adalberto Costa Júnior. Mesmo em eventos magnos, como foi a longa cerimónia de três dias para enterro das ossadas de Salupeto Pena e Alicerces Mango, mortos na sequência dos confrontos pós-eleitorais de 1992, foi notória a ausência de Isaías Samakuva nos dias em que Adalberto Costa Júnior estivesse presente.

No dia do arranque das cerimónias, Adalberto Costa Júnior fez-se rodear de históricos e de relevantes quadros do partido, bem como políticos agora alheios à UNITA, mas que ainda têm história no partido como é o caso de Abel Chivukuvuku e muitos de seus seguidores. E foi a forma dramática e melancólica como Abel Chivukuvuku, em discurso, lembrou em detalhes como as escaramuças de 1992 começaram em Luanda, e como recebiam as informações de quadros a sucumbirem, e a forma como ele próprio caiu às garras de grupos armados na zona do Sambizanga, que levou a sala aos prantos.

Isaías Samakuva, que a nível interno ainda é tratado por presidente, fez-se presente apenas no segundo dia do evento, dia em que Adalberto Costa Júnior já não se fez presente. O desencontro de ambos, até parece coreografado, registou-se também no Huambo, onde foi a enterrar as ossadas de Alicerces Mango, e igualmente no Bié, onde foram depositadas as ossadas de Salupeto Pena, a escassos metros de onde está enterrado Jonas Savimbi, seu tio.

Para lá desses factos, Isaías Samakuva, mesmo já fora da liderança da organização, passou a ser recebido pelo Presidente João Lourenço, no Palácio Presidencial, para entre vários assuntos e em diversas ocasiões, discutir a situação do país, o melhor modo de trazer a calma face às tensões políticas, sobretudo em 2021, período em que a UNITA era acusada de patrocinar manifestações violentas, e além de se ter deslocado ao Palácio para interceder junto do Chefe de Estado a legalização da Fundação Jonas Savimbi, a pedido dos filhos do fundador do partido.

Entretanto, face ao histórico e a visível relação de proximidade entre Isaías Samakuva e João Lourenço, cresce a incerteza e o cepticismo no seio da direcção e de militantes de base da UNITA sobre o que poderá Isaías Samakuva dizer na tão esperada conferência de imprensa. A tensão interna resulta, como já enunciado, por conta da postura de Isaías Samakuva, que intramuros demonstra estar com a direcção do partido, mas vista de forma oposta fora de suas fileiras…