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Irão quer fim de sanções e garantia de não intervenção para terminar com a guerra
A recente mudança de posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ultimato imposto ao Irão, está a gerar dúvidas sobre os objectivos reais da estratégia norte-americana no actual cenário de guerra e tensão no Médio Oriente.
No sábado, 21, Trump deu um prazo de 48 horas para que Teerão reabrisse o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, sob ameaça de ataques a infra-estruturas energéticas iranianas. Contudo, esta segunda-feira, 23, o presidente norte-americano anunciou que iria esperar mais cinco dias, alegando avanços nas negociações, apesar de o governo iraniano negar qualquer diálogo directo com Washington.
Segundo informações divulgadas por fontes internacionais, Teerã teria colocado como condições para qualquer acordo:
- levantamento das sanções económicas impostas pelos EUA;
- garantia de não intervenção militar;
- suspensão dos ataques contra o território iraniano.
Essas exigências foram mencionadas por autoridades iranianas ao negar negociações formais, mas admitir contactos indirectos por intermédio de países mediadores.
Analistas internacionais avaliam que a mudança de tom de Trump pode estar ligada à pressão económica global causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pelo aumento do preço do petróleo, além do risco de escalada militar regional. A Casa Branca chegou a adiar ataques para permitir negociações, enquanto aliados e mediadores tentam evitar um confronto directo.
De acordo com o analista de política internacional, Lourival Sant’Anna, a postura recente de Trump, indica que Washington pode ter sido forçado a rever os objectivos iniciais da guerra, abrindo espaço para concessões diplomáticas diante dos riscos económicos e militares do conflito.
