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“Irão afasta-se das negociações por sentir vantagem militar”, diz especialista

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O académico e jurista português Rui Verde considera que o anúncio do Irão sobre o fim das negociações com os Estados Unidos não fecha a porta à diplomacia. Para o especialista, a decisão resulta do facto de Teerão se sentir “com força” depois dos recentes ataques a alvos americanos.

Entretanto, o facto do Irão ter anunciado o fim das negociações com os EUA não fecha a porta à diplomacia, mas resulta de o Irão se sentir com força.

O jurista aponta um “problema de base”: os Estados Unidos não terem “ganho a guerra” que criaram. Rui Verde sustenta a tese com dados divulgados hoje pela BBC, segundo os quais cerca de 28 bases americanas foram atingidas pelo Irão no Médio Oriente, com danos “muito maiores do que se esperava”.

“Apesar da falta de informação militar, é que os Estados Unidos sofreram um grande revés também militar, além do fecho de Estreito de Ormuz. Portanto, o que se começa a ver é que os EUA sofreram um grande revés”, explicou.

Rui Verde analisa ainda as declarações de Donald Trump. O académico recorda que o presidente norte-americano disse ter falado com Benjamin Netanyahu e garantido que os israelitas não iam atacar Beirute, capital do Líbano, e que iam começar a recuar.

“No fundo, Trump está aflito e acabou por responder às exigências do Irão. O Irão tem muito mais força do que se julgava e está a caminhar. O Irão demonstrou, ao contrário de todos os prognósticos, a força do Irão e a fraqueza dos Estados Unidos. Há aqui uma clara reversão das forças”, avaliou.

Para o jurista, apesar do cenário actual, não acredita que as hostilidades recomecem em massa, “pelo menos pelo que o presidente Trump disse nesta segunda-feira”. Rui Verde critica ainda a forma como o conflito tem sido conduzido: “Parece também uma coisa: depois vai dizer outra a seguir, que é outro dos problemas desta guerra ser conduzida por tweets”.

Jornalista multimédia com quase 15 anos de carreira, como repórter, locutor e editor, tratando matérias de índole socioeconómico, cultural e político é o único jornalista angolano eleito entre os 100 “Heróis da Informação” do mundo, pela organização Repórteres Sem Fronteira. Licenciado em Direito, na especialidade Jurídico-Forense, foi ainda editor-chefe e Director Geral da Rádio Despertar.

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