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Inteligência israelita perdeu a maestria com que marcou o século XX?

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Israel é um Estado forjado em situações extremas, numa geografia turbulenta e controlada por árabes antagónicos manifestamente desejosos em eliminá-lo, assim como Hitler procurou fazer aos judeus, que, então sem terra, vagueavam pela Europa. Entretanto, havia um único remédio óbvio: a preparação militar e de inteligência constante.

Israel, conhecido como Estado judeu ou hebreu, foi concebido há 76 anos, precisamente a 14 de Maio de 1948. Ao longo deste período enfrentou imensos desafios existenciais, dado que os povos árabes que o rodeiam, apesar do tempo passado, mantêm incursões para o eliminar, quer seja encobertas sob capa de grupos terroristas, quer seja enquanto Estado.

Em Junho de 1967, deflagrou uma guerra brutal de Israel contra o Egipto, Síria e a Jordânia. E à semelhança das guerras anteriores travadas contra coligações militares árabes, os judeus saíram vitoriosos. A proeza dos militares de Israel nessa e noutras guerras resultaram sempre da qualidade de seus serviços de inteligência que souberam colher informações precisas.

No conflito militar de 1967, a tropa israelita surpreendeu o mundo árabe com um ataque relâmpago à força aérea do Egipto, danificando boa parte da frota de helicópteros militares. As Forças de Defesa de Israel (IDF) optaram por este ataque ousado porque tinham recebido informações detalhadas sobre a operação árabe que estava por vir, e optou por neutralizar a força aérea bem mais preparada entre os países envolvidos na operação árabe então em preparação.

O sucesso das operações secretas (de inteligência) de Israel, que se assemelha a mais um milagre do que de acção humana, já vem sendo obtido ao longo dos anos de independência.

Tão logo conseguiu se afirmar no mundo como um povo soberano, os judeus conceberam a mais ousada operação secreta do mundo: a corrida para a detenção e transferência para Israel de todos oficiais da Alemanha Nazi, envolvidos no holocausto contra o povo judeu.

Entre os oficiais nazi apanhados no exterior e mandados para Telavive esteve o académico Adolph Eichmann, sequestrado na Argentina pelo Mossad, o serviço de inteligência de Israel. Então tido como o arquitecto do holocausto, Adolph Eichmann foi condenado à morte por enforcamento.

Em Junho de 1976, precisamente no dia 27, os líderes mundiais foram à cama agitados ou nem conseguiram pegar no sono. Fazia manchete em todos os jornais a informação de que uma aeronave civil francesa, em que viajava cerca de 228 cidadãos de diversas nacionalidades, com destino a Paris, tinha sido tomada por terroristas palestinos e alemãs, e desviado de sua rota original.

Depois de aterrar nalguns países árabes para reabastecer o avião, o destino final dos sequestradores foi no Uganda, país africano então governado pelo conhecido ditador Idi Amim Dada.

Já no aeroporto Internacional de Entebbe, no Uganda, os sequestradores separaram os israelenses e judeus dos outros passageiros e tripulação, e libertaram o resto, que partiu a bordo da aeronave da Air France. Mais de cem israelitas e judeus, junto ao piloto Michel Bacos (não-judeu), permaneceram reféns e foram ameaçados de morte caso Israel não libertasse certos presos, cujo desaparecimento tornavam o mundo mais seguro.

Sozinho, e pressionado pelos familiares dos sequestrados ameaçados de morte, o governo israelense pediu a inteligência para conceber um plano de acção rápida para resgatar e levar de volta os seus cidadãos. Como é óbvio, a operação ficou para história.

Militares israelitas, carregados por duas aeronaves militares, rasgaram o céu do Uganda na madrugada do dia 4 de Julho daquele ano. Os terroristas e os serviços de defesa e segurança do Uganda que guarneciam o aeroporto onde eram mantidos os reféns, ficaram atónitos.

Do lado de Israel, apenas um militar morreu, por sinal seu comandante Yonatan Netanyahu (irmão do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu). Ao amanhecer, os sequestrados já estavam em Telavive, capital de Israel.

Proeza igualmente semelhante, talvez de uma proporção superior, foi realizada entre os anos 70 e 80, no Sudão, um país inimigo de Israel. Na altura, havia deflagrado um conflito civil brutal na Etiópia, o país africano que concentra o maior número de judeus negros.

Por questões tribais, os judeus negros acabaram por sofrer perseguições, violações e mortes. O grito de lamentações e socorro chegaram aos ouvidos do então primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, que prontamente orientou a inteligência a conceber um plano visando a libertação desses judeus negros.

A operação foi longa e complexa, não só por conta da guerra civil, mas sobretudo porque os israelenses não eram bem-vindos em vários países árabes por onde os militares tinham de passar, em especial o Sudão, o território apontado como o mais viável para a concentração dos agentes.

Os serviços de inteligência de Israel montaram no Sudão, junto ao mar, um imponente hotel, altamente luxuoso, sendo que os seus empregados eram todos da inteligência israelense.

O objectivo era, através de redes clandestinas, carregar grupos de judeus negros da Etiópia para o Sudão, de onde, às noites, eram levados para este hotel concebido a propósito, sendo que de seguida uma aeronave militar os levava para Israel.

Entretanto, foi esta a operação responsável pela multiplicação hoje de judeus negros em Israel.

Portanto, face à toda essa maestria demonstrada no passado, o mundo manifesta-se incrédulo como os hebreus não conseguem, até ao momento, passados mais de um ano e meio, resgatar os reféns em posse do Hamas, que até estão dentro de sua geografia.

A 07 de Outubro de 2023, militantes do Hamas realizaram um ataque que a inteligência israelense não se apercebeu, mataram dentro do território israelense mais de mil pessoas, violaram mulheres e ainda tiveram tempo para decapitar bebés.

De lá para cá, as IDF estão a fazer o seu trabalho militar, de combater e eliminar a ameaça à sua frente. Mas a inteligência, diferente do passado, demonstra ser incapaz de identificar o local exacto onde estão os reféns e conceber uma operação adequada.