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Economia

“Indústria angolana ainda enfrenta vários desafios”

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Os participantes da conferência híbrida, do Ministério da Indústria e Comércio, realizada nesta terça-feira, 24, em Luanda, disseram que a indústria angolana enfrenta vários desafios para fazer face às dificuldades económicas do país. A actividade, que contou com prelecção de especialistas no sector, visou marcar o Dia da Indústria Nacional, assinalado nesta segunda-feira, 23. Analisar os 45 anos da indústria angolana foi o objectivo do workshop que teve como tema central “Pensar indústria 2020”.

À imprensa, à margem da conferência, o director nacional da Indústria, César da Cruz, disse que os desafios que o país enfrenta no sector “continuam a ser grandes”, principalmente nas áreas dos transportes, água e da energia eléctrica, e também das infra-estruturas, que continuam abaixo das necessidades “para alimentar a indústria” – uma fragilidade que segundo fez saber, obriga à “expansão da rede eléctrica” para as zonas mais recônditas do país, para nelas serem implementadas as indústrias para fomentar a agricultura e promover a produção nacional.

Sobre o assunto, César da Cruz entende ser necessário “ouvir todas as opiniões construtivas “para filtrarmos, para engrandecer a estratégia” de desenvolvimento da indústria angolana.

Para o presidente da Associação das Indústrias de Angola (AIA), José Severino, um dos prelectores convidados, o sector da indústria nacional tem conhecido altos e baixos ao longo dos anos.

O principal desafio do sector, na visão do economista é a “dependência atroz” das importações de matérias primas, que precisa ser revertida, principalmente. para a área alimentar. Para ele, toda a fileira alimentar da agricultura precisa ser trabalhada, bem como os recursos minerais, que ainda se constituem como uma das grandes deficiências do mosaico industrial a nível interno, e que tem de ser corrigido com “muitos apoios do Estado” em 2021 e 2022.

“O maior desafio do sector é resolver o problema dos produtos da cesta básica”.

José Severino apontou também o reforço na produção do sal, que ainda é “pouco explorado”, apesar da existência de empreendedores activos nesse sector. Para que estes desafios sejam vencidos é necessário melhorar o ambiente de negócios em Angola e a participação dos empresários nacionais, que entende estarem marginalizados.

O economista chamou atenção para a valorização dos empresários nacionais. “O empresariado nacional não tem capital, apesar de possuir capacidade de gestão e know how e precisa de ser imponderado e o Governo não pode ficar passivo perante a esta situação”, disse, acrescentando que o Estado deve participar nos vários projectos de desenvolvimento das pequenas indústrias, pois, elas constituem mais de 80% das empresas no sector, as chamadas pequenas indústrias.

Por sua vez, o director do Instituto de Inovação e Tecnologias Industriais (INITI), do Ministério da Indústria e Comércio, Adérito Van-Dúnem Cusselama, referiu que este workshop serviu para a partilha de impressões entre os demais intervenientes do sector da indústria, no sentido de se encontrar soluções inovadoras e exequíveis que produzam impactos colectivos positivos, principalmente, tendo em conta o actual contexto económico e sanitário.

Disse também que o sector tem vários desafios a enfrentar, mas que contam com os vários actores do sector para ultrapassá-los. Por conta da pandemia, as indústrias angolanas “foram obrigadas a reinventar-se e a inovar” buscando matéria-prima no mercado interno para manter a sua produção, tornando-as “mais consistentes”. O maior desafio do sector, para Adérito Cusselama, é “resolver o problema dos produtos da cesta básica”.

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