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A voz do Cidadão

Imprensa angolana no “cafrique” dos poderes – Osvaldo Manuel

Redação

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A imprensa em Angola surgiu no século XIX, como consequência da decisão do Governo Colonial Português que, até então, interditara. A iniciativa se concretizou a partir do Boletim Oficial que rapidamente abriu o caminho para outras publicações “ditas” independentes. Com a sua publicação, dava-se cumprimento ao disposto no decreto de 7 de Setembro de 1836, que se ordenava publicar em todas as províncias boletins oficiais, sob a inspecção de cada governo local.

Passados quase 200 anos, a imprensa em Angola continua refém de grupos económicos, grupos religiosos, partidos políticos e, sobretudo, do poder político de determinada localidade geográfica, tirando, assim, a grande essência do jornalismo que é a busca da verdade dos acontecimentos sem interferência de quaisquer grupos ou poderes acima mencionados.

Esse presídio, quase que interminável, pode continuar por longos anos, por falta de projectos sustentáveis dos meios de comunicação social. Só para refrescar as nossas memórias, em 2014 quando a Igreja Universal mergulhou na sua primeira crise, o Jornal O país destacou na sua capa, as mortes de fiéis e a realização de cultos secretos por elementos afectos a referida instituição religiosa, no entanto, a Direcção da Igreja Universal do Reino de Deus retirou, de formação unilateral, todos os anúncios publicitários daquele órgão de informação, provocando um mal-estar na redacção entre a direcção comercial e a direcção editorial da empresa.

Os ricos, os decisores políticos, partidários e religiosos, têm grande influência na escolha da linha editorial do meio, principalmente em África em que a elite volatilizou informação segundo a qual o profissional de comunicação é pobre e tem de depender da fonte para a sua subsistência, comprometendo a fiabilidade da notícia.

Angola, nosso belo País, continua a regredir do ponto de vista de independência editorial face aos países da Região Austral do continente berço da humanidade. Hoje, o País tem cerca de 30 milhões de habitantes e tem apenas dois diários.

Uma absoluta minoria de pessoas lê jornais e os jornalistas ainda enfrentam problemas com a censura, suspensões das suas funções, embora a situação tenha melhorado, formalmente, a partir da nova constituição do país, que permitiu a abertura de novas publicações. Porém, 2020 começou com uma surpreendente notícia sobre o afastamento temporário do jornalista da Rádio Ecclésia Salgueiro Vicente por publicar acto de suposta corrupção no concurso público da Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE). A direcção da Eclésia teve de bater no mais fraco da história, mostrando que a imprensa continua “cafricada” como no seu começo aos inúmeros poderes existentes em.


*Osvaldo Manuel, é consultor e especialista em Comunicação e Marketing. 

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