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Hotel Ruanda: Paul Rusesabagina condenado por terrorismo

Redação

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Paul Rusesabagina

Paul Rusesabagina, cuja história durante o genocídio de 1994 inspirou o filme ‘Hotel Ruanda’, foi acusado de terrorismo, assassinato e financiamento de rebeliões por um tribunal de Kigali, capital do país.

A polícia ruandesa anunciou, no final de Agosto, para surpresa de todos, a prisão do Paul Rusesabagina, que vivia no exílio, nos Estados Unidos e na Bélgica, desde 1996, tendo-se tornado num crítico feroz do governo do actual presidente do Ruanda, Paul Kagame.

Uma forte presença policial foi visível nesta terça-feira, 15, durante a primeira audiência em Kigali, onde Paul Rusesabagina chegou rodeado pelos seus advogados.

O magistrado que preside à audiência leu as 12 acusações que lhe são imputadas, que incluem terrorismo, formação e financiamento de grupos militantes, homicídio e fogo posto.

O acusado, que usava uma máscara, um casaco de xadrez e calças cáqui, não falou em tribunal, mas conversou com os seus advogados, que negaram as acusações.

“As acusações contra o meu cliente não são válidas. Ele não deve ser acusado de crimes cometidos por outros, mesmo que já tenha tido parcerias com estes”, disse o advogado David Rugaza, perante o tribunal em Kagarama Primary, sudeste de Kigali.

“Partindo desta base, deve ser imediatamente libertado sob fiança”, acrescentou.

Paul Rusesabagina fundou o Movimento Ruandês para a Mudança Democrática (MRCD) em 2018, que é suspeito de ter um braço armado, a Frente de Libertação Nacional (FLN), um grupo considerado terrorista por Kigali.

A sua família acredita que as acusações contra ele são políticas. Também acreditam que Paul Rusesabagina foi raptado durante uma viagem ao Dubai e que nunca teria regressado ao Ruanda por sua conta e risco.

O Gabinete de Investigação do Ruanda (RIB) indicou que tinha recebido cooperação internacional nas investigações, sem, no entanto, especificar que país ou países estavam envolvidos.

A Human Rights Watch (HRW) disse na sexta-feira que o Rusesabagina foi vítima de um “desaparecimento forçado” para o qual as autoridades ruandesas deveriam dar uma resposta completa.

“O Ruanda tem um registo estabelecido de utilização de métodos ilegais e obscuros para atingir aqueles que são vistos como ameaças ao partido no poder”, disse hoje Lewis Mudgediretor da HRW para a África Central.

“O fracasso do Ruanda em processar Rusesabagina através de procedimentos legais de extradição sugere que as autoridades não acreditam que as suas provas (…) seriam admitidas por um tribunal independente. Por conseguinte, optaram por contornar a lei”, acrescentou.

Segundo a HRW, o facto de as autoridades ruandesas terem esperado três dias para anunciar a prisão de Rusesabagina mostra que ele foi vítima de “desaparecimento forçado”.

Após saírem do ‘Hotel Ruanda’, os sobreviventes do genocídio, que matou 800.000 pessoas segundo a ONU, questionaram o heroísmo de Rusesabagina, acusando-o de lucrar com o seu sofrimento

No início da semana passada, os advogados de Rusesabagina avisaram a ONU de que este corria “riscos no imediato” de ser torturado no seu país.

Numa carta enviada ao relator especial da ONU sobre tortura, Nils Melzer, os advogados apelavam à “ação urgente” em nome de Rusesabagina, que também tem nacionalidade belga.

O antigo gestor “foi recentemente raptado e sujeito a uma entrega extraordinária do Dubai ao Ruanda e está atualmente a ser mantido sem contactos pelas autoridades ruandesas em Kigali”, disseram os juristas na carta, datada da última segunda-feira.

Paul Rusesabagina “não tem tido qualquer contacto com a sua família, consultores jurídicos autorizados ou diplomatas belgas desde quinta-feira, 27 de Agosto“, acrescentaram.

O Governo ruandês, afirmam, “não apresenta provas de vida desde segunda-feira, 31 de Agosto, quando as autoridades em Kigali mostraram Rusesabagina algemado aos meios de comunicação social”.

“Dadas estas graves violações dos direitos humanos e a anterior perseguição de longa data de Rusesabagina pelo Governo ruandês, ele está em risco imediato e grave de tortura ou tratamento ou castigo cruel, desumano e degradante”, sublinham os advogados.

Dada a controvérsia internacional gerada pela operação de detenção e as acusações de rapto pela família, Kagamé salientou que a detenção e transferência para o Ruanda foram feitas “legalmente” e que os “detalhes serão conhecidos muito em breve”.

Por Lusa

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