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Sociedade

“Há muitos vaidosos e oportunistas nos projectos sociais”

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No Dia Internacional da Solidariedade, 31 de Agosto, conversamos com o secretário-geral da Associação Juvenil de Apoio às Comunidades (AJACOM), Watuzemba Frederico, que há oito anos dedica-se a ajudar às famílias mais carenciadas em Angola.

Ao todo, são 54 jovens voluntários que, desde o início do ano juntaram-se também aos esforços do Executivo, a fim de impedir o avanço da covid-19 no país – uma acção que poderia alcançar ainda mais pessoas se tivesse mais apoio.

Conheça abaixo o trabalho desenvolvido por esses jovens que possuem como lema “Juntos por uma Angola mais solidária”.

O que é a AJACOM?

A Associação Juvenil de Apoio às Comunidades (AJACOM) é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos, apartidária e não-governamental com personalidade jurídica conferida pelo Ministério da Justiç̧a e dos Direitos Humanos e de autonomia administrativa e financeira de âmbito nacional. A AJACOM junta-se aos esforços do Executivo angolano no combate a delinquência e o consumo de drogas no seio da Juventude, enaltecer os valores cívico-morais, apoio às comunidades carentes, bem como ocupar os tempos livres da Juventude.

Quais as principais actividades?

Promovemos palestras, cursos básicos, workshop “Despertar nas comunidades – o sentimento de responsabilidade social”, campanhas de sensibilização, entrega de donativos, limpeza, doação de sangue, medicamentos e acompanhamento especializado às famílias vulneráveis.

Há quanto anos desenvolvem trabalhos solidários? O que motivou a começar?

Desenvolvemos há 8 anos, desde 2012. Fomos motivados pelo amor ao próximo e a preocupação com a transformação social de famílias necessitadas.

Quais projectos têm em curso?

Temos em carteira vários projectos, como: Acção Solidária; Semana de reflexão sobre drogas; Saúde Comunitária; Educação e Cidadania e Acção Solidária contra Covid-19.

Entrega de alimentos no Hospital Américo Boavida

O que fazem no projecto Acção Solidária contra covid-19?

É um projecto de periodicidade pontual e emergente que comporta três vertentes: a primeira está voltada à sensibilização sobre os métodos preventivos da pandemia de covid-19; a segunda é a distribuição de refeições quentes/Sopa Solidária para unidades hospitalares e pessoas que vivem na rua e a terceira é recolher bens de primeira necessidade para apoiar famílias vulneráveis, para reduzir as dificuldades causadas pela pandemia. 

Quantas pessoas foram beneficiadas até então?

Até o momento foram mais de 27 mil pessoas (crianças, jovens, homens e mulheres) beneficiadas.

O que mudou, desde quando começou até hoje?

Vejo que a procura de projectos socias não passa de um discurso porque sempre existiram, notamos sim um “carnaval” de projectos sociais despidos de amor, patriotismo, e comprometimento. Hoje há muitos vaidosos e oportunistas.

Mas para nós, o que mudou foi a forma de pensar e realizar actos de solidariedade em Angola. Transformamos mentes de adolescentes e jovens, influenciamos na prática de actos positivos (estudar, empreender, amar e partilhar) na comunidade (família).

Teve alguma situação que mais tenha marcado você nesses anos de trabalho voluntário?

Não podia ser diferente. Houve sim muitas situaç̧ões marcantes, como o consumo de água saloba na comunidade do Tapo, em Luanda; o elevado número de crianças e adultos sem registo e fora do sistema de ensino; o acentuado nível de pobreza nas famílias, etc.

Acredita que, actualmente, mais angolanos estão dispostos a ajudar de alguma forma ao próximo?

Acredito sim que há um sentimento mesquinho de pessoas que tendem a ajudar ao próximo.

Pensa que poderiam fazer mais?

Certamente que poderíamos fazer mais, na medida em que houvesse mais abertura da parte das instituiç̧ões públicas (central e local) e privadas (âmbito da responsabilidade social). Obviamente que ninguém pode dar o que não tem, e, se os que têm e podem não forem educados a solidarizar-se e partilhar, denota-se lacuna de carácter no homem. Reiteramos (AJACOM) o nosso compromisso de olhar com os olhos de ver as famílias carenciadas e procurar possíveis apoio.

Contam com algum apoio para desenvolverem os vossos projectos? Como fazer para ajudar?

Sim. Contamos com apoio de instituições públicas como ministérios, empresas privadas e singulares. Quem quiser apoiar, pode ligar para (244) 923 886 617 ou através da nossa página no Facebook.

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