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Guiné-Bissau: Homens armados atacam rádio crítica ao governo e deixam sete profissionais feridos

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Um grupo de homens armados atacou, as 11 horas locais desta segunda-feira, 7, a Rádio Capital FM, na Guiné-Bissau, e deixou jornalistas feridos a tiro. A acção acontece uma semana depois de uma tentativa de golpe de Estado fracassada.

Segundo o diretor da emissora, Lassana Cassamá, a rádio foi atacada “por um grupo de homens armados”, que deixou ferido sete profissionais, entre jornalistas, administrativos e técnicos de som que se encontravam na estação no momento do ataque.

Aquele responsável, que entretanto, se encontra em Portugal, garantiu que a emissora não voltará a fazer as suas emissões, por ter sido destruído novamente o material da rádio.

“Destruíram a rádio de novo”, disse o diretor a agência Lusa, tendo lembrado que este é o segundo ataque às instalações daquele meio de comunicação social depois de um outro, em 26 de julho de 2020, quando foi destruído o material.

Durante o ataque desta segunda-feira, os jornalistas Maimuna Bari e Bala Sambu, os administrativos Sana Mancal e Geraldo Vaz, assim como os técnicos de emissão Lassana Djassi, Bacar Coiate e Alsene Candé, foram feridos.

Devido ao som dos disparos, populares concentraram-se junto do edifício na tentativa de impedir a acção dos homens armados encapuçados, e que até ao momento estão por se identificar.

Por razões de segurança a Polícia Militar guineense ocupou o edifício, impedindo a entrada de qualquer pessoa. Até as 18:30 horas desta segunda feira, 7, permaneciam no local apenas agentes Polícia de Ordem Pública (POP).

Lembrar que o ataque ocorreu uma semana depois de no dia 01 de fevereiro, homens armados terem atacado o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.

Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, aquele país lusófono sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afectaram o seu desenvolvimento.

Este não é o primeiro ataque que a Rádio Capital FM, conotada como crítica ao governo guineense, sofre, pois em 2020 já foi alvo de ataque também de um grupo de homens armados.

Na altura, a Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou o ataque à rádio, como “um ataque à liberdade de imprensa”, levado a cabo por pessoas que “querem instalar a prepotência e o caos na Guiné-Bissau”.

 

Com Lusa e E-Global