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Guerra na Ucrânia: bancos portugueses negam abertura de conta à russos

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A reportagem é do jornal português O Observador, que o Correio da Kianda retoma para os seus leitores, dando conta de que os cidadãos russos, alguns dos quais fugidos do seu país por conta da evasão à Ucrânia, enfrentam dificuldades junto da banca comercial que lhes vecta o direito a ter uma conta domiciliaria em Portugal onde estão a viver.

“São russos, fugiram da guerra de Putin, mas os bancos fecham-lhes a porta – sem sequer lhes perguntar o nome”, titula O Observador na matéria datada de 22 de Janeiro de 2023.

Após exactos 11 meses de guerra na Ucrânia, os cidadãos russos, que chegam a Portugal não conseguem abrir contas. Bancos recusam discriminação, mas investigação revela que alguns recusam clientes sem sequer lhes perguntar o nome.

“É russo? Nós não estamos a abrir contas a russos”. Depois de inúmeras negas, Alexander tinha entrado numa das sucursais do Santander no concelho de Oeiras com expectativas baixas – mesmo estando, desta vez, acompanhado por um “amigo português” (que é, na verdade, um cliente-mistério do Observador). E confirmou-se: após escassos segundos de conversa, a funcionária do banco recusou abrir conta: “A Rússia é um país de risco e não abrimos contas a russos“. Não é isto que o Santander e os outros bancos dizem quando se lhes pergunta, oficialmente, o que está a ser dito aos russos que tentam abrir conta.

Alexander, nome fictício, estava fora da Rússia quando Putin anunciou a “operação militar especial” na Ucrânia, a 24 de fevereiro. Em conjunto com a mulher, decidiu logo que a família não podia voltar para o país, sobretudo por medo de poder ser chamado a combater numa guerra com a qual não concorda. Escolheu Portugal como destino para si e para os dois filhos, mas está há meses sem conseguir abrir uma conta bancária.

Também não vai conseguir a conta após a visita a este balcão do Santander. Horas mais tarde, Alexander é chamado para levantar uma carta onde se confirma a nega, agora por escrito: “Após análise subsequente” à visita, o banco decidiu não abrir conta. Uma “análise subsequente” que foi feita sem que lhe tivessem pedido quaisquer documentos – nem sequer o nome.

Santander diz ter analisado o caso mas rejeitou abrir a conta. Carta não tem nome porque o banco não o perguntou.