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Guerra Israel-Hamas. Afinal o problema não é só Netanyahu

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Jornais de todo mundo descrevem o primeiro-ministro israelita como alguém com a mente inclinada em guerra. Desumano e um perigo global. Entretanto, há poucos dias ficou-se a saber que o chefe do governo hebreu é apenas o rosto de um radicalismo quase generalizado.

Benjamin Netanyahu, 74 anos, pai de três filhos, já demonstra um certo cansaço em relação à guerra que o seu governo dirige contra o Hamas, o grupo palestino que governa Gaza, e que iniciara a guerra com o ataque surpresa realizado a 07 de Outubro, cujo balanço aponta para mais de mil mortos.

Em resposta, o executivo de Benjamin Netanyahu criou, com partidos na oposição, um governo de emergência e um gabinete de guerra, visando a aprovação rápida de medidas de emergência.

A resposta militar que veio a seguir a concepção desse gabinete excedeu de longe o limite de autodefesa. As Forças de Defesa de Israel (IDF) destruíram mais de metade da Faixa de Gaza, e aniquilaram a economia daquela localidade, além de as acções terem aumentado significativamente o número de refugiados.

O mundo ocidental, marcado pela moralidade democrática e de respeito aos direitos humanos, apesar de aliados de Israel, não podia manter-se em silêncio. Os Estados Unidos da América emitiram sanções económicas contra alguns players importantes de Israel.

E apelaram a Benjamin Netanyahu para que não mandasse as IDF para invadir Rafah, a cidade mais ao sul da Faixa de Gaza, onde estão refugiados cerca de 1,5 milhão de palestinos, que não têm outro lugar para fugir.

Para o mundo, um ataque massivo de Israel contra as forças do Hamas em Rafah, poderá agravar de forma gritante a situação humanitária em Gaza. Benjamin Netanyahu cedeu à pressão, mas o ministro da Segurança Nacional do gabinete de guerra ligado à extrema-direita, ameaçou romper com a coligação caso o primeiro-ministro, que já ordenou a retirada de tropas do sul de Gaza, não invada Rafah, onde refugiou uma força significativa do Hamas.

“Se o primeiro-ministro [Benjamin Netanyahu] decidir acabar com a guerra sem um ataque extensivo a Rafah para derrotar o Hamas, ele não terá mandato para continuar a servir como primeiro-ministro”, ameaçou Itamar Ben Gvir, líder do partido Poder Judeu.

Outros partidos integrantes do governo agendaram reuniões visando abordar a nova perspectiva de Benjamin Netanyahu, que passa por ceder à pressão internacional.

De referir que além do Likud, de Netanyahu, a coligação governante é composta pelo Sionismo Religioso (uma aliança de extrema-direita, anti-árabe e que defende a supremacia judaica), o Poder Judeu (anti-árabe e herdeiro de ideais violentos) e o Noam (Agrado, em hebraico, partido ultraortodoxo).

Da aliança fazem ainda parte dois partidos ultraortodoxos: o Shas e o Judaísmo Unidos pela Torá [os livros sagrados do judaísmo].

Desde o início da guerra, diferentes jornais de todo mundo descrevem o primeiro-ministro israelita como alguém com a mente inclinada em guerra. Desumano e um perigo global. Entretanto, parece não ser tão linear assim. Netanyahu é, em parte, “refém” da vontade radical de outras organizações políticas a quem se atrelou.

O primeiro-ministro israelense encontra-se num dilema. Por um lado, há questões humanitárias para levar em conta, a preservação da moral israelita, e, por outro, há uma situação pessoal, que são os processos judiciais que enfrenta. E o fim do seu governo antes de poder contrariar a justiça, deverá abrir portas para o seu imediato julgamento.

Benjamin Netanyahu é acusado de vários crimes. Num é acusado de fraude e abuso de confiança, por alegadamente ter recebido vários benefícios de alto valor, incluindo champanhe e charutos, em troca de favores a um amigo rico. Num outro processo é acusado de ter feito um acordo com o editor de um grande jornal para promover uma legislação para enfraquecer uma publicação rival, em troca de uma cobertura favorável.

É ainda acusado de suborno, fraude e abuso de confiança. Alega-se que o político terá aprovado “decisões regulatórias que favoreciam uma empresa líder em telecomunicações”, em troca de uma cobertura favorável de notícias em um de seus sites, como parte de um acordo com o accionista controlador da empresa.