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Guerra EUA-Irão faz primeira baixa no Governo Trump: Director de Contraterrorismo pede demissão

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“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irão. O Irão não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso lobby norte-americano”.

A frase acima foi dita esta terça-feira, 17, por Joseph Kent ao renunciar ao cargo de Director do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos da América.

Numa carta dirigida ao Presidente Trump, Kent afirmou que a decisão foi tomada após um “muita reflexão”:

“Apoio os valores e as políticas externas que o senhor [Trump] defendeu nas suas campanhas de 2016, 2020 e 2024, e que implementou no seu primeiro mandato. Até Junho de 2025, o senhor compreendeu que as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que roubava aos Estados Unidos as preciosas vidas dos nossos patriotas e esgotava a riqueza e a prosperidade da nossa nação”, expôs.

Entretanto, segundo Joseph Kent, a posição do líder dos EUA começou a mudar, nesta nova gestão, iniciada em Janeiro de 2025.

“No início deste governo, altos funcionários israelitas e membros influentes dos media americanos lançaram uma campanha de desinformação que minou completamente a sua plataforma America First (América Primeiro) e semeou sentimentos pró-guerra para incentivar a uma guerra com o Irão”, afirmou.

O até então director da contrainteligência continuou defendendo que, “essa câmara de eco foi usada para vos enganar, fazendo-vos acreditar que o Irão representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e que, se atacássemos agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida”, o que, no entender de Kent, “era uma mentira”.

“Isso era mentira e é a mesma tática que os israelitas usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque, que custou à nossa nação a vida de milhares de nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer esse erro novamente”, vincou.

Kent usou ainda a sua trajectória como justificativa para a sua decisão: “como veterano de guerra que foi enviado para combate onze vezes e como marido de uma militar condecorada com a Estrela de Ouro, a minha amada esposa, que perdi numa guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer numa guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas”.

Por fim, Joseph Kent apelou para que Donald Trump reveja a sua estratégia em relação ao conflito no Irão.

“Rezo para que [a administração] reflita sobre o que estamos a fazer no Irão e para quem estamos a fazê-lo. A hora de agir com ousadia é agora. O senhor pode reverter o curso e traçar um novo caminho para a nossa nação, ou pode permitir que deslizemos ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão nas suas mãos”.

Em resposta, o Presidente dos Estados Unidos afirmou que Kent é “muito fracio em segurança”

“Sempre achei que ele fosse um cara legal, mas sempre achei que ele fosse fraco em segurança, muito fraco em segurança. Eu não o conhecia bem… Mas quando li a declaração dele, percebi que é bom que ele tenha saído, porque ele disse que o Irão não era uma ameaça. O Irão era uma ameaça, todos os países perceberam a ameaça que o Irão representava”, disse.

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