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Governar com Aliança Democrática “poderia trazer um mini-apartheid”, diz ala esquerda do ANC

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Diferentes especialistas sul-africanos concluem que os mercados financeiros, comerciais e conexos, poderão responder positivamente caso o ANC forme governo de coligação com a Aliança Democrática, partido marcado maioritariamente por brancos. Na óptica dos estudiosos, uma união entre a organização líder do então regime do Apartheid com MK ou EFF poderá prejudicar os mercados. Entretanto, parece que para Lindiwe Sisulu, da ala mais radical do partido, os mercados não importam, sendo que o mais importante seja que os brancos não voltem a governar.

Na África do Sul, altos quadros da ala esquerda do Congresso Nacional Africano (ANC), partido que se vê obrigado a coligar-se com outras forças políticas para poder governar, face aos resultados das últimas eleições, estão dispostos a fazer descaso da necessidade de estabilidade política e económica do país, e exigem a Cyril Ramaphosa a criação de coligação com partidos radicais como o MK e EFF.

Um dos rostos mais visíveis dessa ala é a Lindiwe Sisulu, uma militante de longa data. Como tese, Sisulu justifica a posição pelo facto de, em sua análise, a África do Sul não mais merecer ter brancos a governar, face à sua história.

Estudiosos sul-africanos concluem que os mercados financeiros, comerciais e conexos, poderão responder negativamente caso o ANC forme governo de coligação com os Combatentes da Liberdade Económica (EFF), o Inkatha Freedom Party (IFP), e o uMkhonto weSizwe (MK) de Jacob Zuma, face à ameaça radical que representam.

Para os especialistas citados pela imprensa local, o ideal para os mercados deverá ser uma coligação entre o ANC e a Aliança Democrática (DA), partido marcado maioritariamente por brancos.

No entanto, parece que o racismo na África do Sul mudou de lado racial, sendo que para a ala esquerda do ANC, independentemente dos resultados, a união deve ser feita por organizações políticas negras.

Apesar de os sul-africanos terem tomado uma decisão eleitoral, que se traduz na recusa da criminalidade, corrupção e outros males conexos, inflação em flecha, e alta taxa de desemprego, tudo isso fruto da governação de mais de 30 anos do ANC, ou seja, de negros, Sisulu nega a integração de novos actores na governação, defendendo que só os negros devem administrar o país.

“A gente [negros] vem do mesmo estoque. Não temos as mesmas políticas, necessariamente, mas esse é o nosso povo. Lutamos a vida toda para garantir que as pessoas negras pudessem ocupar seu lugar ao lado de qualquer outra raça neste país, porque este é o nosso país (…). [os negros de outros partidos] são pessoas com uma história comum connosco, uma luta comum connosco. São pessoas que não são apenas nossos descendentes, mas compartilham os guetos connosco. Não sei quantos anos depois, ainda estamos no gueto. Por que não tentamos outra estratégia e dizemos pessoas negras, só temos nossas amarras a perder”, sublinhou Lindiwe Sisulu.

Peremptória, Sisulu, uma importante ‘guru’ da política sul-africana, referiu que co-governar com a Aliança Democrática “poderia trazer um mini-apartheid”, e apontou como fundamento de sua observação a situação socioeconómica das populações negras em Cabo Ocidental, onde o DA governa.

“Afinal, a luta pela nossa libertação foi principalmente para desembaraçar os negros do colonialismo e das cadeias do apartheid. Então, por que estamos doando a nós mesmos, incluindo nossa rica e dolorosa história inerente aos nossos opressores? Estou pessoalmente implorando que vocês se unam sob uma bandeira do pacto negro para continuar com os esforços de libertação negra e emancipação económica (…) Peço que se unam nos seguintes pontos como partidos progressistas negros”, reafirmou Sisulu, que entre outras iniciativas, colocou-se à disposição do partido para facilitar um encontro com as forças políticas maioritariamente de negros.

Entretanto, a referida ala corre riscos, tendo em conta que, do outro lado, está um dos mais influentes militantes do partido, Thabo Mbeki. Nesse âmbito, o antigo presidente da África do Sul fez-se rodear de quadros do ANC que estão interessados em celebrar acordos de coligação com a DA.

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