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Golpe na Guiné-Conacri: CEDEAO exige libertação “imediata” do presidente Alpha Condé

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A Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) exigiu ontem a “imediata” e “incondicional” libertação do presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, alegadamente deposto por um golpe militar.

“CEDEAO exige respeito pela integridade física de Alpha Condé, a sua libertação imediata e sem condições, bem como de todas as personalidades detidas pelos militares”, adianta a organização em comunicado a que a agência Lusa teve acesso.

A organização, dirigida actualmente pelo presidente do Gana, Nana Akufo Addo, manifestou “grande preocupação” com os “recentes desenvolvimentos políticos” em Conacri e condenou “firmemente” o que considerou uma “tentativa de golpe de Estado”.

As forças especiais da Guiné-Conacri anunciaram ontem ter capturado o Presidente Alpha Condé e “dissolvido” as instituições depois de, durante várias horas ao longo da manhã, terem sido ouvidos tiros de armas automáticas próximo do palácio presidencial, no centro de Conacri, capital da Guiné-Conacri, e ser visível a movimentação de tropas nas ruas, segundo relatos das agências de notícias internacionais.

“Decidimos, depois de retirar o Presidente, que actualmente está connosco (…), dissolver a Constituição em vigor e dissolver as instituições; decidimos também dissolver o Governo e fechar as fronteiras terrestres e aéreas”, disse, num vídeo, o coronel Mamady Doumbouya, comandante das forças especiais, que anunciou também o encerramento das fronteiras terrestres e aéreas da Guiné-Conacri.

Mamady Doumbouya não fez qualquer referência ao paradeiro do Presidente, mas fotos e vídeos mostrando Condé sob custódia de soldados circularam amplamente nas redes sociais embora a sua autenticidade não tenha podido ser verificada.

O Ministério da Defesa garantiu, no entanto, em comunicado, ter repelido a tentativa de golpe.

A organização, de 15 países e a que a Guiné-Conacri pertence, exigiu “o retorno à ordem constitucional sob pena de sanções”, sublinhando que desaprova “qualquer mudança política inconstitucional” na Guiné-Conacri.

A CEDEAO manifestou ainda “solidariedade com o povo da Guiné-Conacri” e exortou “as forças de segurança a respeitarem uma postura republicana”.

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental que faz fronteira com a Guiné-Bissau e é um dos mais pobres do mundo e enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de covid-19.

A candidatura do Presidente Alpha Condé a um terceiro mandato, considerado inconstitucional pela oposição, em 18 de Outubro de 2020, gerou meses de tensão que resultou em dezenas de mortes.

A eleição foi precedida e seguida da detenção de dezenas de opositores.

Vários defensores dos direitos humanos criticam a tendência autoritária observada durante os últimos anos na presidência de Condé e questionam as conquistas do início da sua governação.

Condé, um ex-opositor histórico, preso e até condenado à morte, tornou-se, em 2010, no primeiro Presidente eleito democraticamente no país.

Por Lusa

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