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Gana recusa visita de Ramaphosa e exige medidas contra a xenofobia
O Governo do Gana recusou um pedido de visita de Estado do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, devido ao agravamento da violência xenófoba contra cidadãos ganeses residentes na África do Sul.
Segundo a Africanews, citando fontes diplomáticas de Accra e Pretória, a decisão surge num contexto de intensificação dos ataques contra migrantes africanos em várias regiões sul-africanas. Apesar do adiamento da visita, fontes ganesas garantem que as relações bilaterais entre os dois países permanecem estáveis.
A violência já levou cerca de mil cidadãos ganeses a regressarem ao país de origem, enquanto outros 900 estão em processo de registo para repatriação.
A situação agravou-se a 30 de Junho, quando um cidadão ganês terá sido morto durante uma série de manifestações de grupos xenófobos que tinham como alvos migrantes africanos.
Fontes diplomáticas sul-africanas indicam que Accra está “profundamente preocupada com a segurança e a dignidade dos seus cidadãos” e, por isso, considera inadequada a realização de uma visita de alto nível nas atuais circunstâncias.
Além da protecção dos seus nacionais, as autoridades ganesas manifestaram preocupação com a segurança do próprio Presidente sul-africano. Com o aumento do sentimento anti-imigração, receia-se que a presença de Ramaphosa em Gana possa desencadear reacções hostis da população.
“O compromisso do Governo com a protecção dos ganeses no exterior é inegociável”, afirmou uma fonte, acrescentando que uma visita neste momento poderia agravar as tensões entre os dois países.
Segundo as mesmas fontes, Gana comunicou à África do Sul que uma eventual visita de Estado só poderá ser reconsiderada após a adopção de medidas concretas para travar os ataques xenófobos e garantir a segurança dos cidadãos ganeses residentes naquele país.
