Economia
Fuga ao fisco preocupa autoridades do Sambizanga
A fuga ao fisco está a preocupar as autoridades do município do Sambizanga, em Luanda. A preocupação foi manifestada esta quarta-feira, 5 de novembro, pelo Administrador Municipal Adjunto para as Áreas Social e Económica, José Grilo Costa, durante a emissão especial da Rádio Correio da Kianda, realizada a partir do município.
De acordo com o responsável, o Sambizanga arrecada mensalmente mais de 30 milhões de kwanzas, montante proveniente de taxas, licenças e outras contribuições locais. No entanto, José Grilo Costa sublinhou que a receita poderia ser muito superior se todos os contribuintes e operadores comerciais cumprissem com as suas obrigações fiscais.
“Há muitos operadores informais e comerciantes que exercem a sua actividade sem pagar as devidas taxas. Essa situação tem impacto directo nas finanças municipais e, consequentemente, na capacidade de realizar investimentos sociais e comunitários”, afirmou o administrador Adjunto.
O responsável apelou à consciência tributária dos cidadãos, recordando que o pagamento de impostos é um dever cívico e uma forma de contribuir para o desenvolvimento local, destacando que as receitas arrecadadas revertem em benefício das próprias comunidades.
Nas ruas do Sambizanga, as opiniões dividem-se. Maria João, comerciante no mercado do São Paulo, reconhece a importância de pagar impostos, mas defende maior transparência na aplicação das receitas.
“Nós pagamos taxas, mas muitas vezes não vemos melhorias no mercado. As condições continuam precárias e isso desanima as pessoas”, disse.
Já Domingos Cassoma, morador do bairro Dimuca, considera que a administração deve reforçar o diálogo e a sensibilização, sobretudo junto dos vendedores informais.
“Muita gente foge ao pagamento porque não entende bem o destino do dinheiro. Se houver mais explicação e fiscalização justa, acredito que todos vão colaborar”, sublinhou.
O município do Sambizanga, um dos mais populosos e dinâmicos da capital, enfrenta desafios económicos e sociais expressivos, incluindo o crescimento do comércio informal, a falta de espaços organizados de venda e a baixa adesão ao sistema fiscal.
As autoridades locais prometem intensificar as campanhas de educação fiscal e reforçar as equipas de fiscalização, com o objectivo de aumentar a arrecadação e impulsionar o desenvolvimento sustentável do município.
