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Especial RDC

Fracasso da tentativa de afastar a República Democrática do Congo de Pequim deixa EUA desiludidos

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Os Estados Unidos da América pretendia reduzir a influência da China na República Democrática do Congo, quando Félix Tshisekedi assumiu o poder, em 2019, estando agora desiludidos com o facto de não terem consiguido. Em causa está o sector da mineração, que a China tem investimentos, que deixa os EUA fora dos negócios do Cobalto.

Quatro anos depois, escreve o site Africa Intelligence, os Estados Unidos estão amargamente desapontados por não terem conseguido quebrar a hegemonia de Pequim em questões estratégicas de mineração.

A visita era confidencial, o assunto estratégico. O diplomata norte-americano Amos Hochstein está habituado a que estas viagens não constem de nenhuma agenda oficial. Em Março, o principal assessor do secretário de Estado Antony Blinken em questões de segurança energética chegou discretamente a Lubumbashi. A cidade mineira, que mais parece uma pitoresca cidade rural, é um dos locais onde se comercializam cobalto, cobre e parte do futuro energético mundial. Hochstein, que dizem ser próximo do presidente Joe Biden, é uma das pessoas que planejam a nova estratégia dos EUA sobre o assunto.

O diplomata pode ter conversado com autoridades congolesas – especialmente altos executivos da mineradora estatal Gécamines – sobre o combate ao trabalho infantil ou a transparência fiscal. Mas, acima de tudo, ele se concentrou na delicada questão da renegociação de contratos selados durante a presidência de Joseph Kabila 2001-2019 com grupos privados e paraestatais chineses, bem como com o Estado.

Washington e Tshisekedi x Pequim e Kabila

Alguns desses contratos eram de particular interesse para Hochstein. Como a celebrada em 2008 com a Sicomines, uma joint venture entre a Gécamines e um consórcio de quatro gigantes chinesas, a saber, Sinohydro, China Railway Group, Zhejiang Huayou Cobalt Co e China Machinery Engineering Corp, para explorar depósitos de cobalto e cobre. Outra é Tenke Fungurume, uma das maiores minas de cobalto e cobre do mundo, localizada a cerca de 200 km ao norte de Lubumbashi.

A jazida foi adquirida em 2016 pelo grupo China Molybdenum Co (CMOC) da mineradora norte-americana Freeport-McMoRan, que na época estava com dificuldades financeiras. O negócio foi avaliado em USD 2,65 bilhões.

Em Maio de 2021, o presidente congolês Félix Tshisekedi anunciou que esses contratos seriam renegociados, mas não deu detalhes sobre como planeava fazer isso. Nos bastidores, porém, ele contou com o apoio do governo Donald Trump. Já em 2020, consultores e especialistas pagos pelo Tesouro e Departamento de Estado dos EUA foram enviados a Kinshasa para escrutinar esses negócios e identificar cláusulas desfavoráveis à RDC.

Washington, naquela época, procurava pressionar o recém eleito presidente Tshisekedi. Ficou feliz em ignorar o facto de que o novo presidente chegou ao poder no início de 2019, após uma eleição particularmente controversa e um acordo secreto com Kabila. Tshisekedi, candidato da Union pour la Démocratie et le Progrès Social (UDPS), representou a primeira passagem pacífica do poder na história do país. Os Estados Unidos se sentiram confortáveis com isso e viram nele a oportunidade de reduzir Kabila e a influência persistente da China.

Ao assumir o controlo da Tenke Fungurume, considerado como um grande projecto do governo de Xi Jinping, a China consolidou ainda mais a sua posição como líder mundial indiscutível na indústria de baterias elétricas, com cobalto, que a RDC produz mais de 60% do cobalto usado no mundo, permitiu que Pequim se tornasse o principal player desse sector estratégico.

O site escreve ainda que os americanos, “muito cientes das apostas, trabalharam com a administração de Tshisekedi para escrutinar as actividades da CMOC e sua subsidiária congolesa, Tenke Fungurume Mining (TFM), na qual a Gécamines tem uma participação de 20%. No âmbito desta joint venture, criada em 2010, o grupo chinês é suspeito de subestimar deliberadamente as reservas disponíveis da mina para evitar o pagamento de royalties ao seu parceiro estatal congolês”.

Continua…