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Sociedade

Fome faz aumentar número de crianças pedintes nas ruas de Luanda

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O número de crianças pedintes em Luanda tem estado a aumentar quase todos os dias.  A perda do poder de compra por parte das famílias, é apontado por sociólogos como sendo um dos factores.  No distrito do Zango, por exemplo, por conta da pobreza, segundo familiares ouvidos pelo Correio da Kianda, moradores reassentados nos casebres do Zango 1 e Kitondo, muitos têm os seus filhos nas ruas, que tornaram-se pedintes ou tapadores de buracos de estradas – um trabalho rudimentar encontrado por vários adolescentes e crianças, como instrumento de trabalho para o auto-sustento.

Com idades entre os 9 e 17 anos, na sua maioria provenientes dos bairros do Cajueiro, Santa Paciência e Kitondo, pela busca de um pão, as crianças pedintes no Zango ignoram todos os riscos de uma possível contaminacão da covid-19 e, de acordo com os relatos das próprias crianças que falaram ao Correio da Kianda, devido a fome, arriscarem-se nunca constituiu problemas para eles.

“O meu pai ficou desempregado e a minha mãe também. O meu pai agora faz biscato de limpar fossa e a minha mãe está a vender petróleo. A vida como está dura também para eles, por isso é que eu e o meu irmão viemos aqui na estrada tapar buracos, para pedirmos moedas, para levar pão em casa”, relatou ao Correio da Kianda, um adolescente de 13 anos que disse estar a trabalhar como tapa-buracos no Zango, há quase 4 meses.

Com a fome a apertar, por força do contesto económico que o país atravessa e a pandemia de covid-19 que surgiu para agudizar ainda mais a situação já difícil de muitas famílias, na centralidade do Zango, os contentores de lixo tornaram-se em fontes de alimentos de muitas crianças que não têm o que comer em suas residências.

Constatações feitas pela equipa do Correio da Kianda na Santa Paciência, por exemplo, onde por falta do que comer, os ratos têm servido de solução para alimento de muitas famílias, a pobreza naquela localidade do Zango, chega a ser mais acentuada em famílias com um   agregado acima de 5 ou mais membros em uma residência, de acordo com um dos anciãos ouvidos por este portal no referido bairro.

“Aqui na Santa Paciência, a fome entrou de verdade. A nossa salvação tem sido os ratos e a kisaca que tem nessas matas. E naquelas casas onde uma pessoa tem mais de 5 pessoas, a solução tem sido, para as crianças, ir pedir comida na centralidade ou apanhar comida nos contentores da centralidades, por ser próximo daqui”, disse ao Correio da Kianda, o mais velho, Paulo Jota, de 69 anos, morador da Santa Paciência há mais de 30 anos.

Relatam moradores das zonas do Kitondo, Santa Paciência e as famílias reassentadas na zona do Zango 1 em casebres, que apesar do quadro negro que algumas famílias naquele distrito vivem, nada tem sido feito pela administração local para minimizar a fome que afecta as famílias, e que tem obrigado dezenas de crianças a fazerem dos contentores de lixo como fonte de alimento.