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Fome em Moçambique leva famílias a consumir frutos silvestres e farelo

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A escassez de alimentos provocada pela seca está a levar milhares de famílias da província de Sofala, centro de Moçambique, a comer frutos silvestres e farelo, confirmaram esta terça-feira, 18, as autoridades locais.

Segundo Nobre dos Santos, administrador de Caia, a situação de fome, vem agravando há quase três anos e já afectou cerca de 600 mil pessoas, em quase todo o norte do distrito de Caia, a região mais atingida pela estiagem, com campos agrícolas quase sem produção.

A população afectada está a ter acesso a uma refeição diária composta basicamente por farelo e frutos silvestres, numa situação de insegurança alimentar que ameaça prolongar-se, dado que a população está a consumir as sementes de milho e feijão, distribuídas esta semana.

O líder comunitário no distrito de Caia, afirma que é um fenómeno nunca visto nos últimos 30 anos: “Estamos sem alimentação há mais de dois anos, aqui em Caia. Muita fome, já tivemos dois anos sem chuva, por isso é que a fome cresceu e piora a cada dia que passa, devido à invasão dos campos agrícolas pelos elefantes”.

Para aliviar a fome, a população atingida pela crise também recorre a frutas da época, como melancias, cana doce e um tubérculo aquático conhecido como nhica.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre Outubro e Abril.

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