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“Foi necessário coragem para anular contratos fraudulentos na Sonangol”, diz Isabel dos Santos

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A empresária Isabel dos Santos disse, nesta sexta-feira, 18, que foi nomeada à PCA da Sonangol com as missões de salvar, aumentar as receitas e combater a corrupção que existia na empresa.

Segundo a filha do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, em entrevista à rádio MFM, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola apresentou resultados negativos, em 2016, pelo que foi convidada a presidir o seu Conselho de Administração, em 2017, para acabar com os vícios que aí existiam e aumentar o volume de receitas.

Isabel dos Santos apegou-se às declarações de Francisco de Lemos, seu antecessor, em 2015, em que este revelava que a Sonangol estava à beira de uma falência, para sustentar as suas declarações.

Entre “as situações muito difíceis” que diz ter encontrado na Sonangol, constam várias facturas de pagamentos não registadas no sistema, acções que considerou como sendo “as práticas que não beneficiavam a empresa, o accionista (Estado) e a povo angolano”, e que por isso teve de eliminar.

Isabel dos Santos confessou ainda que levou algum tempo a aceitar o desafio de presidir o Conselho de Administração da Sonangol, pois estava consciente das consequências “políticas” que daí resultariam.

Outra revelação feita são os vários activos da empresa que, segundo fez saber, estavam fora do controlo da empresa, com destaque para aeronaves adquiridas pela Sonangol, mas que se encontravam fora do país, em mãos de terceiros.

“Quando chegamos à Sonangol vimos que nenhum deles estava em Angola. Tinham todos desaparecidos. Nós identificamos nas contas 10 ou 9 aviões, alguns desses jactos fomos encontrar em Londres. Há até outros que fomos encontrar em uso para outras empresas”, denunciou.

Sem revelar nomes, Isabel dos Santos acrescentou, por outro lado, que existia na altura, esquemas de pessoas ligadas à Sonangol atrás dos negócios da empresa, e que foi necessário coragem para efectuar cortes e anular contratos fraudulentos celebrados “muito tempo” antes da sua nomeação.

“As pessoas ficaram surpresas e começaram a perguntar engenheira vai mesmo anular isso? Isso é do senhor fulano, mas era necessário avançarmos”, disse.

Isabel dos Santos referiu igualmente ter apresentado o relatório de actividades ao Executivo. “Apresentamos este relatório ao presidente João Lourenço, naltura candidato, e ao MPLA” sobre as mexidas que tinha feito junto com a sua equipa de mais de 100 consultores.

A empresária disse ter-se surpreendido com o facto de que logo a seguir a sua exoneração os contratos por si anulados foram recuperados e as pessoas anteriormente exoneradas regressaram à empresa.