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FNLA: Da linha da frente à cauda da política angolana

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Após vários anos de luta contra a ocupação colonial portuguesa, desencadeada por Ngola, Njinga, Ekuikui e tantos outros heróis, Álvaro Holden Roberto foi o primeiro angolano a mobilizar e a estruturar um grupo de homens e mulheres que viria a se auto-intitular como movimento de libertação nacional.

Antes de seu rebaptismo, o movimento que mais tarde viria a se chamar Frente Nacional para Libertação de Angola (FNLA) fora conhecido como União dos Povos do Norte de Angola (UPNA). Entretanto, para escapar da colagem tribal, Holden Roberto e seu staff mudaram o nome do movimento para União dos Povos de Angola (UPA) que, anos mais tarde, passou a chamar-se Frente Nacional para Libertação de Angola (FNLA).

Ora, embora o MPLA – Partido que governa o país desde 1975, alega ser o primeiro movimento de libertação nacional, os factos apresentados por determinados historiadores e diferentes académicos contrasta ao que é defendido pelos “camaradas”.

No caso vertente, a FNLA, entre o MPLA e posteriormente a UNITA, foi o movimento de libertação nacional mais bem preparado. Pois tinha uma administração funcional e uma infantaria digna de respeito, para além de gerar confiança aos populares e medo aos inimigos.

Mas face ao “poder propagandístico” do MPLA (assessorado pela União Soviética), a FNLA começou a perder credibilidade diante do povo. Porém, a campanha mais ardilosa que a história registou, cuja repercussão foi devastadora para o movimento de Holden Roberto, sucedeu quando os camaradas anunciaram por meio dos órgãos de comunicação social, que os “irmãos”, tal como também são conhecidos os membros da FNLA, “matavam e se degustavam do corpo das pessoas, suas vítimas”.

Entretanto, para fazer parecer verdadeira a propaganda que revela que a geração de então foi quase toda ela “ignorante”, o MPLA exibiu fotos ilustrando rins, pulmões, braços e pernas de pessoas misturadas com batata-rena, para além de outros ingredientes para apimentar o banquete.

Ora, depois desta vil jogada, qualquer um que cheirasse a FNLA ou Bakongo era menosprezado – na melhor das hipóteses, noutros casos, era perseguido até a morte.

Após vários massacres tribais, bem como o período da descolonização, a FNLA quase que já não tinha pernas para andar, deixando o seu lugar de principal força de oposição colonial ao MPLA, tendo a UNITA ocupado a vacatura de segunda maior força de oposição à opressão colonial, espaço antes ocupado pelos camaradas.

Portanto, chegados em 1992, depois de imensas mortes por causa das ideologias políticas que culminaram nos Acordos de Bicesse (31.05.91), a Frente Nacional para Libertação de Angola nem conseguiu se figurar como a terceira maior força política, na sequência das primeiras Eleições-Gerais, tendo inclusive o seu líder (Holden Roberto) sido ultrapassado por António Neto (dissidente do MPLA), nos resultados presidenciais.

Daí, seguiram-se as querelas internas que os irmãos não conseguem ultrapassar até ao momento. Embora bantus, o pessoal da FNLA comporta-se tal e qual aos cidadãos da tribo Árabe, que se notabilizam pela dificuldade mútua em perdoar e entender o próximo.

Lucas BenghyNgonda, que começou por combater Holden Roberto, até este conhecer a morte, continua no comando. Para além de indicá-lo como o presidente legítimo da FNLA para as Eleições Legislativas de 2008, condição que o permitiu participar novamente nas Eleições-Gerais de 2012, o Tribunal Constitucional (TC) voltou a validar a ala de Ngonda para as Eleições-Gerais aprazadas para o dia 23 de agosto próximo.

Entretanto, independentemente de tudo que se tem dito, a verdade nua e crua é que a FNLA que já esteve na linha da frente da política nacional, pode ser extinta se as eleições forem efectivamente justas e transparentes.

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