Economia

FMI pede cautela, mas defende eliminação de subsídios que pesam no orçamento

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A visita da directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, reabriu esta quinta-feira, 20, o debate sobre a reforma dos subsídios aos combustíveis em Angola, depois de a responsável defender que o modelo atual favorece sobretudo as famílias com maior poder de compra, contrariando o propósito social da medida.

Após um encontro com o Presidente João Lourenço, no Palácio Presidencial, Georgieva afirmou que a manutenção dos subsídios “beneficia muito mais as pessoas mais ricas”, defendendo que o Estado deve reorientar estes recursos para políticas de apoio direto às famílias vulneráveis.

O FMI estima que os subsídios representam 2,5% do PIB, verba que, segundo a dirigente, poderia ser usada para estimular emprego jovem, apoiar pequenas empresas e reforçar a educação.

As declarações surgem num momento em que o país ainda lida com o impacto do aumento do gasóleo, em julho deste ano, que provocou três dias de greve dos taxistas, tumultos e pelo menos 30 mortos.

Desde o início da reforma, em 2023, a gasolina passou de 160 para 300 kwanzas por litro e o gasóleo de 135 para 400 kwanzas, alterando significativamente os custos de transporte e produção.

Perante este histórico recente, Georgieva sublinhou que qualquer avanço deve ser feito “gradualmente e cuidadosamente”, com mitigação prévia para os grupos mais afetados.

O Governo comprometeu-se a avaliar primeiro a eficácia dos programas sociais, incluindo o Kwenda, que já atinge 1,7 milhões de beneficiários.

Para o FMI, a retirada faseada dos subsídios pode criar espaço orçamental para acelerar investimentos estruturantes e consolidar a estabilidade macroeconómica alcançada nos últimos anos.

Georgieva elogiou as reformas iniciadas em 2017 e afirmou que “muito foi conseguido”, mas alertou que o país precisa reforçar resiliência face às pressões geopolíticas, tecnológicas e climáticas.

A directora-geral prossegue hoje a agenda em Luanda, com encontros na Universidade Católica de Angola e na ‘startup’ de mobilidade urbana ANDA.

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