Crônica
Fluir como o rio: comece a semana com força e sabedoria
Segunda-feira. O despertador toca, a cidade começa a mexer e cá estamos nós, prontos, ou quase, para mais uma semana. Em Angola, o caminho para o trabalho nem sempre é simples. O candongueiro demora, o trânsito prende, a luz falha e, por vezes, até a disposição nos trai. Mas, se quisermos chegar longe, precisamos aprender com um mestre silencioso: o rio.
O rio nasce pequeno, muitas vezes numa nascente tímida, escondida entre pedras e capim. Mas traz dentro de si um destino grande, o mar. No seu percurso, encontra pedras, montanhas, vales secos. E o que faz? Não desiste, não se revolta, não cria barragens no seu próprio coração. Ele contorna, adapta-se e insiste.
É esta a lição que devemos levar para a nossa semana. Persistência para seguir mesmo quando o salário atrasa ou o cliente não aparece. Flexibilidade para mudar de rota quando o plano não resulta. Visão para enxergar que cada curva pode esconder uma oportunidade. Fluidez para não endurecer o espírito diante das dificuldades.
Em Luanda, Benguela, Huambo, Lubango ou Cabinda, todos nós temos pedras no caminho. O rio lembra-nos que o obstáculo não é o fim, é apenas um convite para encontrar outro jeito. Às vezes, a solução é dar a volta, outras vezes, é esperar a chuva que enche o leito e nos leva mais longe.
Que esta semana seja como o curso de um rio, firme no destino mas sábio nas curvas. Que as pedras que encontrarmos não nos impeçam de fluir, mas nos ensinem a criar novos caminhos. Porque, no final, tal como o rio chega ao mar, também nós chegaremos onde sonhamos, se não pararmos de avançar.
