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Filho de Kadafi apresenta candidatura à presidência da Líbia

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O filho do Muammar Kadafi, antigo presidente da Líbia, apresentou este domingo, 14 de Novembro de 2021, a sua candidatura para concorrer à presidência do país, para “restaurar a unidade” de todos os cidadãos daquele país do norte de África.

Segundo um alto funcionário da Comissão Eleitoral, Saif al-Islam, de 49 anos, apareceu neste domingos, acompanhado do seu advogado, junto da delegação da Comissão Eleitoral no sul da Líbia, assinando os documentos que oficializam a sua candidatura para disputar as eleições presidenciais prevista para Dezembro deste ano e pôr fim aos conflitos que o país vive desde 2011, altura em que o seu pai foi deposto e assassinado, depois de mais de 40 anos a frente do país.

Aif Al-Islam reaparece depois de ter estado quatro meses desaparecido, na sequência de um mandado de detenção, emitido em 2011 pelo Tribunal Penal Internacional, acusado de Crimes contra a humanidade, ocorridos durante a repressão da revolta na Líbia.

Saif al Islam, de 49 anos e que estava em paradeiro desconhecido, compareceu ao escritório da Comissão Eleitoral em Sabha (sul do país), um dos três centros autorizados do país a receber registros de candidaturas.

Seu pai comandou a Líbia entre 1969 e 2011, liderando um regime extremamente brutal conhecido por desrespeitar os direitos humanos. No entanto, após a queda de Kadafi, os grupos que lutaram contra o ditador se dividiram e o país mergulhou numa nova fase de violência que perdura até hoje.

De acordo com a imprensa internacional, Aif Al Islam, o quarto filho de Kadafi, apareceu vestido com uma túnica e um turbante de cor vermelho e recebeu o título eleitoral que o habilita a votar nas eleições presidenciais previstas ara 24 de Dezembro próximo e nas legislativas que ocorrem em Janeiro de 20122.

Ele apresentou os documentos de sua candidatura no escritório da Alta Comissão Eleitoral (HNEC) em Sabha, completando assim todas as condições legais exigidas pela Lei nº 1 sobre a eleição do chefe de Estado, aprovada pelo Parlamento”, afirmou a comissão em comunicado.

As eleições serão uma nova etapa de um processo político patrocinado pelas Nações Unidas que pretendem encerrar uma década de caos no país, palco de uma guerra civil desde a queda do regime de Muammar Kadafi, brutalmente assassinado em 2011 em uma revolta popular.

As eleições de deste ano, espera-se que venham representar o ponto final dos combates entre dois grupos rivais que tentam controlar o país, um do oeste e outro da região leste.

Saif al-Islam chegou a ser detido em 2011 por um grupo armado em Zenten, oeste do país. Foi condenado à morte quatro anos depois pelas autoridades judiciais de Trípoli. Mas o grupo se negou a entregá-lo até 2017.

O grupo, no entanto, nunca confirmou sua libertação e seu rastro permaneceu desconhecido. O TPI anunciou que Saif al-Islam havia sido localizado em Zenten no fim de 2019.

Entretanto, as eleições são ainda consideradas como incertas, por causa de um aumento das tensões entre os grupos rivais no país. Após a confirmação da candidatura de Saif al Isla permanecem as dúvidas sobre os nomes do marechal Khalifa Haftar, homem forte da região leste da Líbia, e do primeiro-ministro Abdelhamid Dbeibah, que liderou o governo de transição.

Numa das raras entrevistas que concedeu em junho deste ano, à jornais estrangeiros o agora candidato à presidente da Libia afirmara que ele era a melhor opção para restaurar a unidade e dignidade dos cidadãos líbios, tendo se mostrado preocupado com a falta de emprego, segurança e de dinheiro para os cidadãos, passados dez anos desde que o seu pai foi morto, durante uma rebelião apoiada pela NATO, que procedeu ataques aéreos sobre a cidade de Tripoli, mergulhando o país numa crise geral que se vive até aos dias de hoje.

Analistas consideram a candidatura do filho de Muammar Kadafi uma faca de dois gumes, pois, se internamente o nome Kadafi simbolizou durante muitos anos, estabilidade económica e social, que Saif al-Islam pretende restaurar, ao mesmo tempo que é associado à acções ditadura, que entretanto poderá dificultar a aceitação dos eleitores e sobretudo da comunidade internacional.

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