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Figuras públicas e classe política contestam detenção de Domingos Simões Pereira na Guiné-Bissau

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A detenção preventiva de Domingos Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e da Assembleia Nacional Popular, gerou uma forte onda de contestação e repúdio na Guiné-Bissau. Diversas figuras públicas, artistas e líderes políticos classificaram a medida como arbitrária e politicamente motivada, exigindo a libertação imediata do dirigente.

Artistas e intelectuais denunciam retrocesso democrático

O grupo musical Tabanka Djaz e os artistas Karyna Gomes e Welket Bungué manifestaram publicamente a sua profunda preocupação com o actual clima político no país. Em comunicado oficial, os Tabanka Djaz denunciaram o que consideram ser uma “ruptura da ordem constitucional” e um ambiente de perseguição política contra os cidadãos e dirigentes da oposição. A cantora Karyna Gomes lamentou o clima de medo e insegurança que se instalou na sociedade, sublinhando que a Guiné-Bissau se afasta progressivamente dos ideais de desenvolvimento e liberdade traçados pelos fundadores da nação, como Amílcar Cabral. Por sua vez, o actor e realizador Welket Bungué apelou ao respeito pela justiça e pela soberania popular, defendendo que a liberdade e o progresso devem orientar o futuro do país.

Reacção política e contestação judicial

No plano político, o PAIGC reagiu com indignação, apontando graves irregularidades no processo judicial conduzido pelo Tribunal Militar. O partido alega que a detenção violou preceitos constitucionais básicos, destacando a ausência de levantamento da imunidade parlamentar do seu líder e o facto de um cidadão civil ser julgado por uma instância militar. O antigo Primeiro-Ministro Geraldo Martins e o candidato independente Fernando Dias da Costa também expressaram solidariedade a Simões Pereira, denunciando uma suposta manipulação política destinada a afastar o líder partidário da vida pública.

A prisão preventiva foi decretada na sequência de acusações da Procuradoria Militar, que aponta o alegado financiamento de 300 milhões de francos CFA por parte de Simões Pereira para uma tentativa de golpe de Estado ocorrida em Outubro de 2025. O cenário político guineense permanece sob forte tensão, com as actividades partidárias suspensas desde a tomada de poder pelos militares em Novembro do ano passado, enquanto a sociedade civil e os parceiros internacionais acompanham com apreensão o desenrolar dos acontecimentos na região.

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