Sociedade
Falta de acessos impede expansão económica do município do Quiculungo no Cuanza Norte
A fraca rede de vias de comunicação continua a ser o principal entrave ao desenvolvimento económico do município do Quiculungo, na província do Cuanza Norte, condicionando a mobilidade da população e a atração de investimento.
A localidade, situada a cerca de 138 quilómetros de Ndalatando, capital provincial, enfrenta dificuldades significativas no acesso à sede municipal e aos bairros do interior, devido à degradação das estradas e à ausência de vias devidamente asfaltadas.
Este cenário tem impacto direto na vida económica da região, onde a presença do sector privado é limitada. Na vila sede, o tecido empresarial resume-se a uma padaria, um restaurante/centro cultural e duas cantinas pertencentes a cidadãos estrangeiros, não existindo unidades hoteleiras, hospedarias ou serviços bancários.
Jovens locais apontam a falta de oportunidades de emprego e a escassa iniciativa empresarial como fatores que agravam o quadro socioeconómico, defendendo maior aposta em investimentos que possam dinamizar a economia local.
Apesar das limitações, o município conta com algumas unidades produtivas, incluindo uma fábrica de transformação de café e uma unidade de produção de bebidas alcoólicas, que, no entanto, não têm capacidade significativa de absorção da mão-de-obra jovem.
O administrador municipal, Gaspar da Silva, reconhece que a falta de vias de comunicação constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento do Quiculungo, sublinhando que estão em curso trabalhos de reabilitação e construção de acessos rodoviários.
Segundo o responsável, decorrem intervenções na ligação a partir do Riangombe, com trabalhos de desmatação já em andamento, podendo a estrada estar concluída entre agosto e setembro deste ano ou, dependendo do ritmo das obras, até março do próximo ano.
Internamente, o município tem igualmente um contrato com a empresa Nhanga para abertura de vias terciárias destinadas a facilitar o acesso às zonas agrícolas.
Gaspar da Silva afirma que as vias de comunicação são determinantes para a atração de investimentos e reconhece que a sua deficiência tem limitado a entrada de operadores económicos no município.
Apesar das dificuldades, o responsável destaca o potencial agrícola do Quiculungo, com recursos como café, cacau, banana, mandioca e abundância de recursos hídricos, apelando a investidores para explorarem de forma sustentável estas oportunidades.
Quiculungo, um dos 17 municípios do Cuanza Norte, alberga cerca de 16 mil habitantes e tem a agricultura de subsistência como principal actividade económica, permanecendo condicionado pela fraca acessibilidade rodoviária.
