Sociedade
Falha tecnológica deixa centenas de angolanos sem bilhete de identidade e registo criminal
Há cerca de um mês, centenas de cidadãos em Luanda e na Cuanza Sul enfrentam dificuldades para obter documentos essenciais, como o Bilhete de Identidade e o Registo Criminal, devido a falhas no sistema informático que afectam vários postos de atendimento.
A situação deixou os serviços praticamente inoperantes, obrigando muitos utentes a deslocarem-se à Direcção Nacional de Identificação, Registos e Notariado (DNIRN), em Luanda, e aos postos provinciais no Cuanza Sul, onde o atendimento ainda ocorre, mas de forma limitada e com grande pressão.
Nos postos da Samba, Cazenga, Palanca, Prenda, Viana e outras localidades de Luanda, a resposta tem sido repetitiva: “não há sistema”.
Da mesma forma, no Cuanza Sul, os utentes do Serviço de Identificação Civil e Criminal têm relatado atrasos contínuos. Tito Caldeira, um cidadão local, afirmou que “sempre que chegamos aqui não há sistema até o momento, e isso tem causado muito transtorno em algumas atividades, porque temos que arranjar tempo para chegar até cá”. Afonso Prazer acrescentou que “as pessoas ficam aqui 3, 4 dias sem sistema, uns madrugam às 3h e até agora não há solução”.
O delegado provincial da Justiça e dos Direitos Humanos, Lino Coupanga, confirmou a quebra do sistema a nível nacional há duas semanas, acrescentando que, apesar do déficit, os técnicos têm trabalhado para normalizar os serviços. Atualmente, apenas é possível emitir bilhetes de identidade de primeira via, registros de nascimento e óbito em casos específicos.
A concentração de utentes nos pontos disponíveis tem resultado em longas filas que começam ainda de madrugada e prolongam-se por várias horas. Muitos cidadãos percorrem grandes distâncias sem sucesso, passando a noite no local na esperança de serem atendidos. Luís Gomes, utente em Luanda, explicou: “Há um mês que não conseguimos tratar bilhetes aqui. As pessoas vêm de todos os lados, mas infelizmente não têm êxito. É um problema a nível regional”.
Até ao momento, não há informação oficial sobre a normalização completa do sistema, deixando os cidadãos em expectativa e aumentando a frustração frente aos constrangimentos no acesso a documentos essenciais.
