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A exportação e as empresas angolanas

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Por: Ladislau Neves Francisco*

Mas a busca pelas divisas e conquista do mercado internacional deve ser feita de forma metódica, até porque como se percebe, entrar e posicionar-se num mercado desconhecido é sempre um desafio de uma envergadura com proporções inimagináveis.

Temos ouvido falar da necessária troca das importações pelas exportações. Temos ouvido falar de empresas angolanas, em Angola, que vão fazendo um louvável esforço de vender os produtos no estrangeiro. Sem citar nomes, falo da empresa que recentemente deu nas vistas pela exportação de café para os Estados Unidos, e outra que também recentemente virou notícia pela exportação de uma quantidade razoável de banana para Portugal.

Até aí tudo bem. Tudo louvável. Mas tal como dito mais acima, a internacionalização das empresas e dos produtos nacionais, deve ser feita de forma metódica e criteriosa. E aí está um ponto sobre o qual devíamos refletir. As nossas empresas que vão exportando aqui e ali uma e outra quantidade razoável estão a fazê-lo de forma racional e acertada?

Embora exista um universo de análises possíveis de serem feitas sobre o o factor exportação… A ideia  vem essencialmente do princípio de se ter capacidade além do necessário para satisfazer o mercado interno. 

Quando já temos uma capacidade além do que se considera necessário para responder as necessidades do mercado interno (mercado ao qual estamos instalados), começamos a buscar novos mercados. Mas só buscamos esse novo mercado porque o mercado no qual estamos, está dominado, controlado e já não tem capacidade para absorver o que produzimos. E isto sem dúvidas não acontece com as empresas nacionais que como citado acima, exportaram café e banana e tantas outras, não muitas, que vão seguindo a mesma toada.

Vivemos num pais em que quase tudo que se consome é importado. Estranha-me ver empresas a exportar produtos que nós mesmos ainda importamos. Estranha-me ver empresas completamente anônimas, ou seja, sem qualquer peso e/ou substância no mercado interno (que é fértil por precisar), a exportar. Ainda mais, repito, produtos que nós mesmos precisamos.

Pode parecer implicância, mas vejamos, que solidez tem uma empresa que exporta, mas não domina ou no mínimo está solida no mercado interno? Pois, nenhuma!

Não vai ter estofo para lidar com as muitas adversidades normais do processo de conquista do novo mercado. Pelo que, as empresas devem prestar mais atenção ao mercado interno antes de pensarem no externo. 

E mais… O mercado interno é tão importante para as empresas como para o país. A verdadeira e correcta exploração do mercado interno pelas empresas traz o positivo de as populações terem acesso a produtos mais baratos, afinal importar matéria prima é diferente e mais barato que importar produto acabado.

Um bom exemplo de aproveitamento do mercado interno são as empresas americanas e brasileiras (GENERAL MOTORS; IBM e etc). Podem viver só do mercado interno. Não apenas por ser grande, mas porque o suporte que dali vem dá estofo para depois conquistar o mercado internacional. Pelo que, a baixa das vendas no mercado internacional provoca as naturais perdas, mas nunca suficiente para deixar cair a empresa.

Isto tem sido de tal forma negligenciado no nosso país, que tirando a exceção REFRIANGO, através das marcas BLUE, PURA, e a CUCA com a marca com o mesmo nome, ninguém faz de forma acertada. Exportar sim, mas primeiro solidificar-se no mercado interno. Desta forma, a exportação e os seus riscos são sempre controláveis. Pois afinal, a concorrência no internacional é agressiva e muitas vezes desleal para organizações sem história como são as nossas.

* Msc. Finanças 
Docente universitário 

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