Politica
Executivo promete apoio ao agro juvenil, mas acesso ao crédito continua a travar projectos
O Executivo angolano voltou a reafirmar o compromisso com o financiamento e promoção de projectos agrícolas liderados por jovens, no quadro das políticas de incentivo ao empreendedorismo e auto-emprego.
A garantia foi avançada em Luanda pela secretária de Estado para a Juventude, Danila Bragança, durante um encontro realizado no município do Sambizanga.
A governante explicou que o Plano de Desenvolvimento da Juventude (PDJ 2025–2027) integra programas de inclusão económica e social, com destaque para a iniciativa “Stop Rixa”, orientada para a reintegração de jovens em situação de vulnerabilidade, incluindo aqueles com histórico de envolvimento em práticas delituosas.
Segundo a responsável, estas acções alinham-se com as prioridades do Executivo de combate à pobreza juvenil, através do fomento de actividades agrícolas e do agro-negócio, em articulação com as administrações locais. A agricultura é apontada como um dos sectores estratégicos para diversificação da economia, conforme reiterado em relatórios do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, que destacam o potencial do sector agrícola em África para absorção de mão-de-obra jovem.
Contudo, apesar do discurso oficial, jovens empreendedores continuam a enfrentar obstáculos significativos no acesso ao crédito. Entre os principais entraves apontados estão as exigências elevadas do sistema bancário, a necessidade de garantias reais e a limitada literacia financeira, factores frequentemente identificados em estudos do Banco Africano de Desenvolvimento como barreiras ao financiamento juvenil no continente.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o especialista em Gestão e Administração Pública, Denílson Duro, alertou que a eficácia destas políticas dependerá da criação de mecanismos de financiamento mais inclusivos e adaptados à realidade dos jovens. “Sem instrumentos flexíveis e acompanhamento técnico contínuo, há o risco de os programas não atingirem os resultados esperados”, afirmou.
O analista sublinha ainda que o desemprego jovem em Angola continua elevado, em linha com dados do Instituto Nacional de Estatística de Angola, que apontam a juventude como o segmento mais afectado pela falta de oportunidades formais de emprego.
Apesar dos desafios, Danila Bragança reiterou o apelo ao engajamento da juventude na construção da paz e no desenvolvimento sustentável, defendendo a capacitação como instrumento essencial para uma participação mais activa nas políticas públicas.
O encontro contou igualmente com a intervenção do líder religioso Adão Congo, que apelou à união e responsabilidade social dos jovens, num evento que reuniu mais de cinco mil participantes de diferentes confissões religiosas.
