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Estratégia de produção e exportação (Rwanda, Congo)

Olivio N'kilumbo

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Em conversas com o meu Amigo, Mano e Companheiro Augusto BáfuaBáfua, refletíamos em como poderíamos reposicionar Angola na África central e Austral na minha visão, mas ele pensava apenas na República Democrática do Congo – RDC e Rwanda. Eu falava da África Austral onde o triângulo Angola, África do Sul e Moçambique podem em 15 anos proporcionar crescimento e desenvolvimento econômico sustentável para a região no geral e para os três países em particular, tudo por serem as três maiores economias pelo menos em termo de PIB no caso Angola e Moçambique, ao passo que África do Sul compete com a economia Mundo. Num meeting em que fui convidado a participar como sociedade civil num total de participantes de mais de 18 países africanos, em que o Economista Chefe do Banco Mundial para África, Albert Zeufack que visitará Angola recentemente, respondeu a questões vindas dos participantes. Como angolano questionei a este alto funcionário de uma das instituições de Bretton woods, o que achava de Angola hoje, novo presidente, combate e corrupção e a dívida com a China visto que na altura vivia-se o frenesim da visita de Estado do PR João Lourenço a China, onde renegociar a dívida externa de Angola com este pais asiático bem como mais financiamentos, estevam na agenda de trabalho do “recém-eleito” Presidente angolano. Albert Zeufack começou por felicitar os novos tempos que se vive em Angola, mas antes e de um modo geral alertou para a melhor gestão dos talentos (capital humano) em África. De seguida falou do nosso país respondendo a minha questão, e retive apenas um triângulo que segundo ele pode ser a arma para o crescimento e consequente desenvolvimento da África austral e para cada um dos três países que compõem o referido triangulo: Angola, África do Sul e Moçambique, ou seja. Temos que cooperar mais nos próximos 15 anos.   

Voltando a conversa com o BáfuaBáfua, no dia 8 de maio pelas 11 horas, “aló Wi, estás bom?” saudou e questionou-me, “estou ainda vivo” respondi. Em seguida ele começa a falar, “estou e pensar em como Angola podia tirar melhores vantagens do Congo”. Ayeh? Questionei. Ele foi falando e eu anotando: O Rwanda construiu uma estratégia de comércio direcionada para a parceria comercial entre a RDC e o seu país. Esta parceria começou com o redireccionamento das linhas aéreas da companhia “RUANDA AIR”, que passou a realizar voos directos de Kigali para Kinshasa, reduzindo o tempo e a rota do voo que antes era feita ou passando pela Europa ou pela África do Sul (levando cerca de 12 horas), sendo feita agora de forma directa em um tempo de 2:10 min.

Este processo de parceria económica entre os dois países, foi construído no “business fórum” Rwanda e República Democrática do Congo – RDC, cujo objectivo é permitir que empresas Ruandesas exportem para a RDC (com foco na cidade de Kinshasa) os seus produtos. Sendo o Ruanda um país pequeno, está estratégia poderá leva-los a alcançar um mercado geograficamente mais alargado e com algo fluxo comercial. Esta estratégia poderá fomentar o crescimento do Ruanda do ponto de vista do serviço, importando bens de consumo primário de países com alta produção e fraca capacidade de transformação e exportando produto industrial transformado para países com grande consumo e fraca capacidade de produção e transformação (como a RDC).

As áreas de negócios estabelecidas neste programa centram-se em três sectores estratégicos:

  1. Alimentação (necessidades vitais)

O programa identifica fraquezas a nível de fornecimento de alimentação na RDC (carne, ovos, peixe) em contraste com a sua fraca capacidade de produção (Ruanda) a nível primário (produtos agrícolas, pesca, fauna). O programa objectiva a importação destes produtos (oriundo do Quênia/ Tanzânia), transformar localmente (Ruanda) e depois exportar para a RDC o produto transformado.

 

  1. Higiene e Saneamento Básico

A cidade de Kigali (Ruanda) ostenta o estatuto de uma das cidades mais limpas de África. Nesse sentido, a estratégia passa por abordar Kinshasa no sentido de “oferecer” serviços e programas de limpeza e saneamento básico em parceria com os locais (RDC).

 

  1. Indústria Farmacêutica

Com base na sua capacidade de transformação, o Ruanda objectiva o aproveitamento desta capacidade para a produção e transformação de medicamentos com base em produtos naturais.

 

Um exemplopara Angola

Dadas as relações de proximidade entre Angola e a RDC, fruto do histórico entre as duas nações, a visão adoptada pelo Ruanda que está geograficamente mais distante da RDC em relação à Angola deve servir de chamada de atenção para Angola, no sentido de mostrar as oportunidades de parcerias estratégicas que não estão a ser aproveitadas (perda de oportunidade comercial).

O estado degradado da estrada que liga Luanda a Kinshasa, o estado da fronteira entre os dois países, os portos e a ligação das atividades portuárias e de importação (vias logísticas estratégicas); A falta de dinamização dos caminhos de ferros de Angola (que possibilitam uma ligação comercial entre os países) são um exemplo de como as oportunidades está a ser negligenciada.

Possibilidades de parcerias (Angola RDC)

  1. Livre comércio para empresas exportadoras

Com base numa industrialização de determinados sectores (estratégicos) nacionais, podia se chegar a um acordo entre as autoridades angolanas e congolesas no sentido de eliminar as tarifas alfandegárias e direitos aduaneiros nas transações comercias de empresas oriundas de Angola ao exportarem para o congo (livre circulação de bens e integração econômica que nem os EUA e CANADÁ). No entanto, para não prejudicar o consumo interno, a exportação deve apenas ocorrer a partir do momento em que se atinja o ponto ótimo na produção para sustentar o consumo interno, e uma vez que se atinja este ponto para evitar que o mercado interno fique saturado e o produto desvalorize, deverá se optar para a exportação (produção acima do ponto ótimo, excedentes) e a RDC deve ser o primeiro mercado de destino da exportação dada as proximidades (geográficas, políticas e comercias) “a nível de estratégias de crescimento económico é assim que deve ocorrer”.

Esta medida (exportar apenas os excedentes da produção), poderia ajudar em primeira medida, o combate ao défice de produção interna (com base na industrialização dos sectores), garantia da segurança alimentar com o consumo do produto nacional, e ainda o combate a importação por meio do fomento da produção interna, isso poderá gerar empregos e sustentabilidade. “Em termos econômicos esta estratégia é denomina de Industrialização para a substituição das importações”.  

A exportação deve ocorrer segundo algumas medidas que devem ser estabelecidas para evitar as tentativas de aumentar os lucros auferidos das empresas, com base no aumento descontrolado das exportações. Para isso, uma medida a adoptar seria definir limites para a exportar para garantir que as empresas não exportem maior parte da produção deixando o mercado nacional prejudicado.Esta medida evita que as empresas passem a produzir com o simples e único objectivo de fornecer a RDC, pois tal situação seria um perigo para o investimento nacional devido à instabilidade política daquele país. Assim, as empresas poderiam exportar por exemplo, no máximo 40/50% da sua produção.

  1. Fóruns CONGO-ANGOLA

A estratégia e parceria entre os dois países, não devem ser definidas para cidade de Luanda. Uma vez que há outras localidades territorialmente mais próximas ao Congo (Uíje, Zaire, Malanje e as Lundas), as parcerias comerciais deverão passar para estas localidades. O histórico destas localidades (e do país em si) com o Congo, poderia permitir que estas localidades atribuíssem um âmbito estratégico as relações entre os dois países (quer seja econômica, política ou social), primeiro para o aproveitamento da proximidade fronteiriça e também por causa do significado social e histórico do Congo e das relações entre os povos destas localidades. Assim, poderia haver uma descentralização da estrutura produtiva (com ênfase para a produção de bens de primeira necessidade) para estas regiões, o que permitiria uma redução do custo logístico (transporte), e além disso, criaria empregos e desenvolveria a estrutura produtiva da região. Esta medida poderia estar em pleno funcionamento num prazo de 10, no entanto, se for adoptada no curto prazo, em 5 anos poderá estar no caminho ideal.

O Congo é um dos países mais povoados a nível mundial, e apresenta uma escassez de produtos de diversas ordens, e isto poderia ser aproveitado tendo em conta a capacidade produtiva do país, como por exemplo a produção da indústria automobilística, pois o Congo importa automóveis de diversas regiões (a Ásia claro é o pilar dos fornecedores); a indústria têxtil.

Para tornar possível todo esse processo, é necessário que reúnam as condições em termos de infraestruturas logísticas e produtivas que facilitem as atividades comerciais que se perspetivam. Para isso, a dinamização dos portos nacionais, das infraestruturas ferroviárias (caminhos de ferro), as estradas (projecto das vias Luena, Luau e Lumbombashi); Até as rotas dos voos (voos directos), devem ser consideradas e repensadas pois, estas estruturas, facilitam o transporte e a circulação de bens, o que por sua vez dinamiza os processos comercias (os caminhos de ferro do Lobito por exemplo, para o escoamento de produtos agrícolas nacionais de diversas origens ou províncias).

A Namíbia, pela sua dimensão geográfica e organização infraestrutural, deve servir de exemplo a seguir pois, apesar da sua dimensão, conseguiram alcançar mercados estratégicos em diversos domínios e formas (Zâmbia, RDC), tudo fruto da organização e criação de infraestruturas de suporte as atividades comercias. Assim, é primordial a organização interna do país e adopção de estratégias que dinamizem os sectores com vista o aproveitamento das oportunidades que se apresentam fruto das relações entre os dois países.

Epáh, as vezes a gente pensa com cada coisa Báfua, será que vale mesmo pensar sem nunca poder aplicar? Fica só já assim, é um exercício de cidadania. Viva Angola Mano? Viva!

 

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