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A voz do Cidadão

Estou preocupado

Redação

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Por: Marcolino Baptista

Estou preocupado! É isso mesmo que ouviu: estou preocupado!!!

“Estou preocupado” e ver as coisas da “vista do ponto” são expressões ouvidas de dois distintos colegas que tanto admiro e que me marcaram aquando da minha passagem numa das universidades desta nossa Angola, mas espera aí: passei por uma universidade ou a universidade passou por mim? Esta é outra “maka” mais, que parece ter sido manifestada num dos discursos pelo novo inclino do palácio presidencial da cidade alta, que estava mesmo preocupado com a situação da qualidade do nosso ensino superior.

As perguntas que te faço são: hoje o que te preocupa? Qual é a sua vista do ponto?

O que te preocupa eu não sei, mas quanto a vista do ponto devo dizer que há um desenho, figura, que retrata duas personagens, em que sobre um mesmo objecto, um via quatro pontas ou passo que o outro só conseguia ver três e cada um chamava para si a razão em função daquilo que via, pelo que se se levar ao extremo os pontos de vista sem ao menos respeitar e compreender a do outro podem descambar em conflitos…, guerras que depois de tanto nos desgastarmos devido as lutas, só depois que pararmos para rever bem as coisas, aí daremos por conta que ambos tinhamos razão, que afinal faltou vermos desde o princípio como as coias eram de facto para o outro e para mim.

A mim preocupa-me, uma vez que estamos na era dos pequenos e poderosos (microchips, tablet, ipods, smartphones etc), muitas coisas que desapareceram da era passada ou do grande mas menos poderosos (televisores de “Nguimbo”, aparelhos de som gira discos e de cassetes de fitas magnéticas, telefones fixos com fio a base de cordas etc), que infelizmente os meus filhos, os da geração “fast food” ou “MiMiMi”, não fazem a mínima ideia.

Olha, eu lembro-me quando “puto”, em minha casa existia dois cartazes colados na parede com os seguintes teores:

1º “Quem diz que dinheiro não traz felicidade, ainda não é nosso cliente”.

2º “Nesta casa manda ela e nela mando eu”.

Que nostalgia…, quanto ao primeiro, penso que os meus pais desde cedo já me advertiam para ser um empreendedor, da necessidade de ser um empresário, um profissional liberal, não vendendo o meu tempo por horas gastas num emprego e partir para a riqueza, mas sendo hoje um funcionário público penso que ignorei aquele ensinamento, porém por mea culpa porque eles ensinaram-me só com palavras e não com actos ou seja encarnaram a frase “faça o que eu digo e não o que eu faço”, assim para a primeira lição os meus pais não conseguiram, contudo como ainda tenho forças para tal, é bem possível ter a ousadia de largar o funcionalismo público e cumprir com tal desiderato, como fez uma personagem do livro intitulado “O Catador de Bufunfa”, de  Roderick Nehone, pseudónimo literário de Frederico Manuel dos Santos e Silva Cardoso, ex Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, que tentou furar a cerca sanitária de Luanda aqundo da decretação do Estado de Emergência, facto que levantou uma celeuma na comunidade em geral  e na jurídica em particular, onde dizem que os polícias interpretaram embora a constituição e as leis melhor que os juízes até ao ponto de um jurista da nossa praça considerar que se tratava de traumas da primeira infância de que os juízes padeciam.

No segundo, penso que meus pais nunca queriam que eu me tornasse num “cama e mesa”, ou “tio matoso”, nada contra esses tipos mas só acho que não era o tipo de pessoa que meus pais quiseram que eu me tornasse nunca um dia, daí desde cedo aquele apelo e neste quesito penso que conseguiram em cheio, portanto valeu a pena aquele ensinamento de forma tácita.

Estou preocupado por o telemóvel ter mais importância que as pessoas, porque nos encontros sociais estão todos agarrados aos seus smartphones, conversando calorosamente com seus amigos virtuais, numa amizade platônica dispensando os amigos de verdade.

Estou preocupado com o desaparecimento dos leitores porque corroboro assinando em baixo com um colega de carteira que  havia me dito nestes termos SIC: “Devo-te confessar, que a versão em áudio deu mais vida aos textos. Talvez devesses apostar mais nessa modalidade. Pois, hoje assiste-se, tristemente (diria eu), a uma redução de leitores e a um aumento incontrolável de telespectadores e ouvintes. As pessoas parecem preferir mais os áudios, vídeos aos textos. Daí que a indústria cinematográfica cresce a uma velocidade galopante em detrimento das livrarias e editoras.” concluiu aquele colega.

Estou preocupado com a falta de inocência dos “miúdos” de hoje, porque naquela altura as brincadeiras de papai e mamãe eram embora por cima do biquíne, mas e a agora?!

Estou preocupado por eu e muitas pessoas não sabermos comer (mastigar bem os alimentos e sem pressa para saborea-los), não sabermos dormir (dormir em horas regulares e quantidades de horas de sono recomendado), por acordarmos e não arrumarmos a cama, sendo que se o fizermos será  uma atitude boa que visará ganhar o dia de forma proveitosa, preocupado com o “fast food” emocional, com a qualidade da amizade.

Assim, como podestes observar eu não tenho medo desse corona não, porque senão faria parte do menu de preocupações acima apresentado, mas como assim! se fico em casa, uso máscaras, higienizo-me quantas vezes for necessário, observo o distanciamento social, oro para estacamento do mesmo o mais rápido possível, sim! Porque a pesar dos pesares a minha preocupação mesmo é a que consta do cardapio de que acima vos apresentei, assim aqui fica, ficando algumas reticências e tenho dito.

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