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Opinião

Estatuto do Hamas é contra objectivo da ONU de criação de dois Estados

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António Guterres, secretário-geral da ONU, tem insistentemente criticado Israel, e não abandona a sua perspectiva inicial de que o ataque violento e provocador do Hamas não tenha “acontecido do nada”. E se desdobra visando juntar as maiores Nações do mundo para a necessidade de forçar os hebreus a aceitar a criação de dois Estados, mas nada diz sobre o Hamas, cuja concepção, para início de conversa, é contra a existência de um quilómetro para um Estado israelita.

O Estatuto do grupo palestino Hamas, a que o Correio da Kianda teve acesso, um documento de concepção que espelha a ideologia e os objectivos da organização, é manifestamente contra a criação de dois Estados entre Israel e Palestina, dado que entende que toda aquela extensão territorial é pertença dos palestinos.

No documento, o Hamas considera nula a Resolução 181 da Organização das Nações Unidas (ONU), que determinou a divisão da Palestina em dois Estados, um judeu e um árabe (Israel e Palestina), em 1947, e reafirma, ainda no documento, numa clara alusão da necessidade de eliminação de Israel como uma Nação, de que a terra palestiniana ocupa toda extensão do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo, uma área geográfica que actualmente alberga o Estado de Israel, e a zona da Palestina.

“São considerados nulos e sem efeito: a Declaração Balfour, o Documento do Mandato Britânico, a Resolução da ONU sobre a Divisão da Palestina e quaisquer resoluções e medidas que deles derivem ou que sejam semelhantes a eles. O estabelecimento de “Israel” [aspas colocadas no documento] é totalmente ilegal e viola os direitos inalienáveis do povo palestino e vai contra a sua vontade e a vontade da Ummah; é também uma violação dos direitos humanos que são garantidos por convenções internacionais, o principal deles é o direito à autodeterminação”, lê-se no artigo 18.º do Estatuto do Hamas.

De referir que António Guterres, secretário-geral da ONU, tem insistentemente criticado Israel, e se recusa a abandonar a sua perspectiva inicial de que o ataque violento e provocador do Hamas, de 7 de Outubro, não tenha “acontecido do nada”. E tem se desdobrado em várias frentes diplomáticas visando juntar as maiores Nações do mundo para a necessidade de forçar os hebreus a aceitar a criação de dois Estados.

Entretanto, para lá da crítica aos hebreus, António Guterres e diferentes líderes mundiais esquecem-se que o Hamas, a ‘voz de mando’ em Gaza (Palestina), no seu documento reitor, é contra a existência de um quilómetro para um Estado israelita naquela extensão territorial.

O grupo avisa que, independentemente do tempo que Israel possa existir, a qualquer momento será exterminado, uma posição que contraria o objectivo de coexistência apregoado por Guterres e diferentes estadistas que têm subestimado o poder e o desejo intrínseco do Hamas.

No artigo 20.º do seu estatuto, o referido grupo adverte: “nenhuma parte da terra da Palestina será comprometida ou concedida, independentemente das causas, das circunstâncias e das pressões. E não importa quanto tempo dure a ocupação [de Israel]. O Hamas rejeita qualquer alternativa à libertação total e completa da Palestina, do rio ao mar. No entanto, sem comprometer a rejeição da entidade sionista [Israel] e sem renunciar a quaisquer direitos palestinos, o Hamas considera o estabelecimento de um Estado palestino totalmente soberano e independente, com Jerusalém como sua capital (…)”.

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