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Sociedade

“Estamos prestes a nos envergonhar de ser jornalistas”, diz presidente do MISA Angola

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No meio de crescente controvérsia sobre o papel dos orgãos de informação do estado nas eleições angolanas, Honorato Silva da Comissão da Carteira e Ética avisou que jornalistas que não cumprirem com deontologia profissional poderão perder a carteira profissional.

Mas muitos entendem que isso não será possível havendo mesmo quem diga que estas eleições poderão ser “uma vergonha” para todos os jornalistas.
Do Sindicato de Jornalistas Angolanos ouvimos Fonseca Bengui que diz ter perdido interesse em continuar a seguir as eleições pelos orgãos de informação estatais que continuam a favorecer o partido no poder.

Bengui entende ser “tão flagrante a inclinação” a um dos concorrentes que não acredita num pleito justo por via da media.

Quanto à fiscalização, Fonseca Bengui pensa que “infelizmente estes órgãos reguladores que existem são praticamente uma espécie de extensão como se fossem parlamento em miniatura onde todas as decisões são influenciadas por quem detém o poder no país”.

“Por isso estes órgãos preferem olhar e não agir principalmente a ERCA”, acrescentou.

André Mussamo, presidente do MISA Angola entende que “trinta anos depois infelizmente aprendemos pouco sobre cobertura eleitoral justa”.

“Digo em voz alta que estamos prestes a nos envergonhar de ostentarmos uma carteira de jornalista”, afirmou.

Contudo, Honorato Silva, da Comissão da Carteira e Ética entende que estes dias estão contados porque nestas eleições que pela primeira vez contam com o crivo da CCE aqueles que não cumprirem poderão ficar sem a carteira.

“No futebol há árbitros batoteiros como no jornalismo há profissionais desonestos, mas estes podem ter a certeza que a Comissão da Carteira está aqui para fiscalizar, monitorar, policiar a actividade dos jornalistas sobretudo neste período eleitoral”, disse.

Uma tarefa que um dos decanos do jornalismo angolano Avelino Miguel entende que não vai ser tão fácil como se parece.

“Praticamente os principais órgãos de comunicação social que chegam em todo País estão controlados pelo estado e sofrem uma grande influência do Executivo, colocando o jornalista no centro do fogo cruzado”, disse.

Para o jornalista tanto a ERCA como outros órgãos que deviam servir de peso e contra peso são bastante politizados.

“A nossa ERCA não tem competência para exercer efectivamente o seu papel, é bastante politizado com integrantes dos próprios partidos políticos”, sublinhou.

André Mussamo do MISA Angola diz não acreditar numa fiscalização na actividade da Media.

“Se não houver coragem a partir da assembleia nacional de deputados verdadeiramente engajados, para desfazer esta ERCA que anda aí, esta fraqueza que se está tentar induzir propositadamente na Comissão da Carteira não vamos chegar lá, e vamos continuar sempre que chega estes momentos de eleições a atirar culpas aos jornalistas, quando todo mundo vê e sabe que a nossa comunicação social só faz o jogo de uma única cor partidária, todos sabem incluindo os parlamentares”, disse.

C/VOA