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Politica

 “Estado deve dar oportunidade para Isabel dos Santos devolver o que deve”

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Cidadãos apelam ao Estado angolano que negocie com a empresária e filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos, sobre os arrestos de seus bens, dentro e fora do país, para que se salvaguarde o emprego de muitos jovens.

Nesta segunda-feira, 17, o Correio da Kianda ouviu cidadãos residentes nas províncias de  Luanda e no Moxico. Na entrevista, todos foram unânimes em apelar ao governo angolano a abrir uma “trégua” de negociação com a empresária Isabel dos Santos, para que livremente ela tenha possibilidade de entregar o que é do Estado.

Nelson Euclides Mukzo, residente na província do Moxico, disse que continuar a sacrificar Isabel dos Santos não é a solução. O também jurista afirma que é necessário rever este método de actuação do combate à corrupção, porque, segundo ele, não está a resultar.

Estamos a viver uma fase que muitos chamam de combate à corrupção, mas não foi só a Isabel dos Santos que roubou o Estado angolano. “’Os peixes grandes’ que também se enriqueceram de forma ilícita com dinheiro do Estado, estão soltos e ainda continuam a roubar neste mandato do presidente João Lourenço”, disse e sublinhou que “continuar a sacrificar a empresária, não é a solução, afinal, até hoje, não está a resultar em quase nada”.

O também activista cívico, defensor dos direitos humanos e educador social, é de opinião que  “se a Isabel deve ao Estado, que o Estado dê mais uma oportunidade para pagar. A negociação que nos referimos aqui é de dar mais uma chance para ela, afinal também é filha desta terra”.

Para o estudante universitário Adriano Constantino, residente no município de Cacuaco, em Luanda, a melhor via para se evitar o desemprego é por meio da negociação:

“A melhor via para se tratar estes processos de arrestos dos bens é a negociação com a Isabel dos Santos, porque se arrestarem todas as suas empresas, a maioria da população, em particular os jovens, ficarão sem emprego”.

Maria Ângela da Costa, vendedora ambulante, diz que se as empresas de Isabel dos Santos fecharem, só em Luanda vai aumentar o índice de criminalidade e de prostituição. Para a vendedora, a negociação é a única saída, para salvar empregos e estabilidade nos lares, “porque muitos são chefes de famílias”.

Por seu turno Mauro Riva teme por um colapso de desestruturação social das pessoas que trabalham em tais empresas, e que venham a ficar sem empregos. Para ele, é sim preciso,  combater à corrupção, mas que, não seja contra Isabel dos Santos e a sua família.

Já o professor Américo Vissoca disse que se deve, simplesmente, cumprir a Lei, e quanto ao emprego, que o Estado angolano salvaguarde os postos de trabalho dos funcionários.

“Crime é crime, e deve ser passível da aplicação da lei com tal, e que não se deve negociar. As pessoas devem ser tratadas de igual forma. Se existirem provas que houve violação de uma lei, então os infratores devem ser responsabilizados”.

Da lista de empresas arrestadas constam o banco BIC, na qual Isabel dos Santos detém 25% das participações sociais, através da empresa SAR – Sociedade de Participações Financeiras e 17,5%, por intermédio da empresa Finisantoro Holding Limited de direito maltês, e a Unitel, com 25% de participações sociais de Isabel dos Santos, através da empresa Vidatel, Limited.

O banco BFA, com 51% das participações sociais por intermédio da Unitel, na qual Isabel dos Santos detém 25% através da empresa Vidatel, e a ZAP Media, com 99,9% de participações de Isabel dos Santos, através da empresa Finstar – Sociedade de Investimentos e Participações foram igualmente arrestadas.