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Especialistas divergem sobre relação entre paz e bem-estar social

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O jornalista e jurista William Tonet defendeu em declarações à Rádio Correio da Kianda, que a paz social em Angola deve ser avaliada para além da ausência de conflitos visíveis ou de medidas como o recolher obrigatório, sublinhando que ela só se materializa quando os cidadãos têm condições básicas asseguradas, como alimentação regular, dignidade e inclusão social.

Na sua análise, o facto de o país celebrar 50 anos de independência e 24 anos de paz formal, coexistindo com mais de 10 milhões de pessoas em situação de pobreza, revela um desfasamento entre a estabilidade política e a realidade socioeconómica da população. Para Tonet, este cenário levanta questões sobre a qualidade da paz alcançada e a sua sustentabilidade a longo prazo.

Por outro lado, o analista Luís Jimbo apresentou uma leitura distinta, defendendo que a paz social não deve ser automaticamente associada ao bem-estar económico. Segundo argumentou, é possível existir estabilidade política e ausência de conflito armado mesmo em contextos de dificuldades sociais, sendo a paz, do seu ponto de vista, um conceito mais ligado à ordem e à convivência institucional.

Ainda assim, o debate evidenciou pontos de convergência quanto aos desafios estruturais. William Tonet apontou o fraco aproveitamento escolar como um indicador de fragilidade social, associando-o à aplicação de modelos jurídicos e educativos que, segundo referiu, não dialogam com as realidades culturais das comunidades, o que pode gerar desajustes no processo de ensino e aprendizagem.

Já o politólogo Agostinho Sicato chamou a atenção para o papel limitado da sociedade civil, que classificou como “débil”, em grande medida devido à excessiva politização. No seu entendimento, essa realidade reduz a capacidade de mobilização cidadã, enfraquece o escrutínio público e compromete a consolidação de uma cultura democrática mais participativa.

As diferentes posições foram apresentadas durante o programa “Especial Informação”, da Rádio Correio da Kianda, onde os especialistas analisaram o conceito de paz social à luz dos desafios actuais do país, evidenciando a necessidade de um debate mais aprofundado sobre a relação entre estabilidade, desenvolvimento e inclusão social.

Jornalista multimédia com quase 15 anos de carreira, como repórter, locutor e editor, tratando matérias de índole socioeconómico, cultural e político é o único jornalista angolano eleito entre os 100 “Heróis da Informação” do mundo, pela organização Repórteres Sem Fronteira. Licenciado em Direito, na especialidade Jurídico-Forense, foi ainda editor-chefe e Director Geral da Rádio Despertar.

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