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Escritor Ondjaki diz que Angola vive momento complicado e precisa definir prioridades

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O escritor angolano Ondjaki considerou hoje que Angola atravessa um “momento complicado” a nível económico e financeiro e que o Governo deve ouvir e agir em função das prioridades da maioria das populações.

“Já se passaram dois anos, penso que tem sido uma gestão difícil, o país está a atravessar um momento complicado do ponto de vista até de algumas carências básicas, sendo que outras se somam. Por exemplo, tivemos uma enorme seca no sul do país, o que não facilita as coisas, nem para o Governo, nem para a população”, considerou Ondjaki, em declarações à agência Lusa, na cidade da Praia, onde participa na terceira edição do festival literário Morabeza.

Instado a comentar o atual momento em Angola, o escritor, poeta, reconheceu que não é propriamente um avaliador de políticas, mas, como cidadão, disse que neste momento o Presidente da República, João Lourenço, “terá que fazer novos esforços, terá que inventar novos caminhos porque a realidade económica e financeira do país complicou-se muito”.

Como exemplos, apontou o “câmbio descontrolado” (a relação entre o kwansa e as moedas externas), a implementação do IVA pela primeira vez no país, que, considerou, traz também uma “reação especulativa do ponto de vista dos negócios”, notando que quem sofre e paga a fatura em última instância é o cidadão, o consumidor.

Ondjaki recordou que na semana passada João Lourenço fez um discurso sobre o Estado da Nação e foi criticado, não porque alguns dos dados que apresentou não correspondem à realidade, mas porque a população sente a realidade de outra maneira.

“Eu, como cidadão, o apelo que faço é que não só o Presidente da República como todos os dirigentes se aproximem e tenham uma noção mais real de como é que a população vive e neste momento quais são as necessidades primárias da população”, pediu.

Para o escritor, continua a ser positivo o facto de o Presidente da República ouvir os vários setores, mas considerou que deve ouvir sim e agir em função do que ouve. “Isso seria muito interessante”.

Ondjaki afirmou ainda à Lusa que em Angola já se começa a “apertar o cinto” e entendeu que isso vai se sentir cada vez mais, porque há uma relação estreita com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e que há garantias e exigências que aquela instituição pede ou impõe.

“Mas quem tem que tomar essa decisão dos novos caminhos é o partido que está no poder, que foi eleito para este mandato (MPLA) e o seu presidente, João Lourenço, que também é Presidente da República”, apontou, esperando que o chefe de Estado tome as “decisões certas, com as prioridades certas”.

“É uma palavra muito em voga em Angola, que são as prioridades, porque de facto às vezes as pessoas agem e dão prioridades a coisas que não são prioritárias. Então vamos ver qual é a decisão do Governo sobre quais são as prioridades da população na sua maioria”, prosseguiu.

Para Ondjaki, em todos os processos democráticos ou semi-democráticos em Angola e em todo o mundo, não se deve escutar os clamores, as exigências, as maleitas e os azares da população apenas no dia e no mês das eleições, mas também durante os quatro ou cinco anos de mandato.

“Portanto, sim, conto que o Governo e o chefe do Governo, que é o Presidente, ouçam bem com atenção o que a população está a precisar neste momento”, manifestou, dizendo ser um otimista em relação ao futuro de Angola.

Por outro lado, disse estar consciente que o país está numa posição em que nem tudo depende do Governo ou do Presidente, mas gostaria que, naquilo que depende deles, “possam agir da melhor maneira possível”.

Prosador e poeta, também escreve para cinema e teatro, Ndalu de Almeida, popularmente conhecido como Ondjaki, nasceu em Angola, em 1977. É membro da União dos Escritores Angolanos, membro honorário da Associação de Poetas Húngaros e fundador da Associação Protectora do Anonimato dos Gambuzinos.

Está traduzido para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio, sueco, chinês e swahili. Recebeu os prémios FNLIJ (Brasil, 2010, 2013); JABUTI juvenil (2010); e, em Portugal, o prémio José Saramago (2013).

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