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Engenheiro adverte para risco elevado de inundações na cidade de Luanda em Abril

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O engenheiro hidráulico Francisco Lopes advertiu esta sexta-feira, 13, que a cidade de Luanda pode receber, em apenas cinco minutos de chuva intensa, cerca de 120 milhões de metros cúbicos de água, um volume que considera extremamente preocupante face às limitações do actual sistema de drenagem da capital.

Segundo explicou, uma precipitação de 100 milímetros, comum no mês de Abril, pode representar descargas estimadas em 650 mil metros cúbicos por segundo. “É muita água”, enfatizou, defendendo que o fenómeno deve ser encarado com maior responsabilidade técnica e institucional e não tratado como um acontecimento pontual.

Francisco Lopes que falava durante o programa “A VOZ DO CAMPO” da Rádio Correio da Kianda, alertou que o principal problema não está apenas na quantidade anual de chuva, mas sobretudo na forma como ela se concentra em períodos muito curtos. Se a precipitação estivesse distribuída ao longo do ano, a média diária rondaria os 35 milímetros. No entanto, entre Janeiro e Abril, com maior incidência em Abril, pode cair, num único dia, o equivalente à chuva de vários meses, aumentando significativamente o risco de inundações.

O especialista chamou igualmente a atenção para infra-estruturas estruturantes como a Marginal de Luanda. Apesar da sua imponência e relevância urbanística, advertiu que nenhuma obra está imune aos efeitos de fenómenos extremos se não houver planeamento adequado, manutenção regular e sistemas eficientes de escoamento das águas pluviais.

Defendeu ainda que Angola deve retirar lições do que tem ocorrido em países como Portugal e Moçambique, onde eventos climáticos severos têm provocado perdas humanas e materiais significativas.

Francisco Lopes observou também que cidades como Lubango, Malanje e Uíge chegam a registar intensidades médias superiores a 150 milímetros, mas beneficiam da sua posição geográfica, por estarem implantadas em zonas mais elevadas e com várias linhas naturais de drenagem. Já Luanda, com apenas quatro vertentes principais e marcada por expansão urbana acelerada e ocupação desordenada, enfrenta maiores limitações no escoamento rápido da água.

Para o engenheiro hidráulico, o desafio passa por investir seriamente no ordenamento do território, na requalificação das linhas de água, na ampliação da rede de drenagem e na fiscalização rigorosa das construções em zonas vulneráveis. O alerta reforça a necessidade de políticas públicas mais estruturadas de prevenção e adaptação às alterações climáticas, sob pena de a capital continuar exposta a episódios de enchentes com elevados custos sociais e económicos.

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