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Opinião

Empreender é também inovar

Tomás Camba

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Nos últimos tempos a palavra empreendedorismo ganhou força e quase se tornou um mantra, usado até mesmo por charlatões que nada têm a ver com o empreendedorismo de modo concreto. No entanto, apesar do mau uso do termo e da ascensão dos charlatões, temos motivos para comorar, pois num país como o nosso onde a maior massa trabalhadora é empregada pelo Estado – e, como se não bastasse, pessoas ainda esperam que o mesmo crie empregos com decretos –, até mesmo o mau uso da palavra deve ser celebrado, pois evidencia que, de algum forma, as pessoas – principalmente a nova geração da qual faço parte – estão despertando para trabalhar em prol da criação de riquezas no país.

Dentre os muitos conceitos sobre empreendedorismo quero aqui destacar o  elaborado pelo economista Joseph Schumpeter. Para o economista, um empreendedor é aquele que inova. Ou seja, ser empreendedor é inovar, é ser capaz de introduzir novos métodos de produção no mercado. É tarefa do empreendedor revolucionar os processos de produção.

Se olharmos para este conceito sem nos atentarmos a ele, pensaremos de prontidão tratar-se de um conceito muito simples. No entanto, num país como o nosso onde existe uma gama gritante de pessoas se intitulando de empreendedores, perceberemos que muitos não ficariam em pé diante do conceito Schumpeteriano de empreendedor. Ademais, a maioria dos empreendedores em Angola vive na base da imitação, o que limita o processo de inovação em si. Muitos abrem padarias porque viram a padaria na rua de trás a lucrar; foi assim com os colégios e universidades privadas, as pessoas foram apenas abrindo sem fazer sequer uma pesquisa de campo. Com efeito, muitos desses negócios não conseguem sobreviver sequer um ano.

Quando Schumpeter introduz a ideia de inovação, ele não se está a referir em apenas criar coisas novas a partir do zero. Um bom empreendedor é aquele que sabe explorar as oportunidades e turbiná-las. Por exemplo, se já existem diversas padarias no meu bairro, isso não significa que não exista mais espaço para o surgimento de uma nova padaria; o empreendedor que tem como visão a inovação procurará obter informações sobre as demais padarias que existem e explorará o ponto de fraco das demais, trazendo assim um princípio de inovação que se tornará o diferencial desta nova. Ludwig von Mises, economista austríaco, vai além, chamando o empreendedor de especulador de futuros. Ou seja, para inovar é preciso especular sobre um futuro. Talvez seja essa uma das principais características em falta nos nossos empreendedores. Na atual conjuntura somente aqueles que enveredarem na jornada da inovação/especulação poderão sobreviver com seus negócios no pós pandemia.

Embora Angola conste na lista dos países difíceis para se fazer negócios, pelo excesso de burocracias e protecionismo, ainda assim é o empreendedorismo que ajudará o país a crescer. Por isso, é necessário ensinar a população que não se criam empregos por decretos ou a canetadas, apesar deste entendimento estar latente no imaginário do nosso povo. Para que existam empregos é preciso ter empreendedores, talvez essa seja a vez da nova geração angolana entender, de uma vez por todas, que não podemos simplesmente ficar à espera dos 500 mil empregos prometidos em época das eleições.

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