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“Emissão de título de dívida no Japão reforça credibilidade externa de Angola” – Economista Quingila Hebo

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Angola anunciou a emissão de título de dívida no mercado japonês para reforçar as fontes de financiamento à economia nacional, conforme noticiou o Correio da Kianda. Chamado a comentar, o economista Quingila Hebo considerou a medida como um importante passo que Angola dá na diversificação das suas fontes de financiamento internacional.

Ao emitir os títulos naquele mercado asiático, arrecada 40 mil milhões de ienes — o equivalente a 221 milhões de euros ou cerca de 238 mil milhões de kwanzas — no mercado japonês.

Para o economista Quingila Hebo, esta operação representa um sinal claro de que o país começa a ganhar nova credibilidade junto dos investidores globais.

Segundo o especialista, Angola sempre manteve uma forte relação com o mercado asiático, sobretudo por via da China, tradicional principal credora do país. No entanto, Hebo sublinha que esse financiamento ocorria “numa lógica em que não podia discutir termos e condições”, situação que agora se altera com a entrada em novos mercados e com negociações diretas de dívida.

“A emissão mostra que o país bateu no peito, sentou-se à mesa e negociou termos e condições para obter financiamento”, afirmou. Este movimento, diz o economista, contraria a narrativa histórica de descrédito que persistia sobre Angola nos mercados internacionais e que se reflectia nas avaliações menos favoráveis das agências de rating.

Taxa de juro considerada competitiva

Para Quingila Hebo, outro sinal positivo está na taxa de juro negociada, de 2,6%, considerada “razoável” quando comparada às emissões anteriores de Angola.

“Já vimos taxas de dívida entre 7% e 8%, e até acima disso. Esta é, sem dúvida, uma melhoria substancial”, explicou.

O economista destaca que este tipo de financiamento oferece ao país a possibilidade de definir a aplicação das verbas, diferente de acordos tradicionais em que o credor condiciona o destino dos recursos.

“Hoje, com este acesso, Angola consegue dizer como vai aplicar o dinheiro, porque há um compromisso claro de pagamento conforme o acordado”, disse.

Com esta medida, Quingila Hebo entende que apesar dos avanços, representa um alerta para a necessidade de gestão responsável da dívida.

Para ele, o endividamento em si não é um problema — pelo contrário, pode indicar confiança internacional —, mas o risco reside no uso inadequado dos recursos obtidos.

“Estamos a falar de muito dinheiro. Será essencial aplicá-lo em projectos que gerem resultados concretos, capazes de produzir retorno para pagar o juro e o capital. A ciência econômica é clara: dívida deve ser utilizada para gerar mais riqueza”, sublinhou.

Para o economista, o facto de Angola procurar alternativas além das tradicionais relações bilaterais demonstra uma estratégia mais aberta e madura de financiamento externo.

“É um bom sinal o país ir a outros mercados. Mas tudo depende da responsabilidade na execução e na capacidade de transformar este financiamento em desenvolvimento real”, finalizou.

OGE: Angola emite títulos da dívida pública no mercado japonês

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