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Bastidores

Embaixadora de Moçambique em Angola vítima do próprio partido

O desvio de valores de que a actual embaixadora de Moçambique em Angola, Helena Taipo, está a ser acusada, financiou campanha que elegeu o actual Presidente Moçambicano, Filipe Nyusi, a Presidência da República.

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É notícia nos meios diplomáticos, o recente escândalo de desvio de cerca de 100 milhões de meticais (cerca de 500 milhões de kwanzas), dos cofres do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) de Moçambique, que tem como um dos indiciados a actual Embaixadora da República de Moçambique acreditada em Angola, Maria Helena Taipo, antiga Ministra do Trabalho, que tutela o INSS.

Ao que apurou o Correio da Kianda, Helena Taipo foi ouvida na semana passada, em Maputo, pela Directora do Gabinete Central de Combate à Corrupção, a Procuradora-Geral Adjunta, Ana Maria Gemo. As audições em perguntas, na qualidade de arguida, tiveram lugar nos dias 29 e 30 de Outubro, com início às 10 horas, prolongando-se até por volta das 18 horas, nos dois dias.

De círculos próximos do processo, ficamos a saber que Helena Taipo defendeu que os valores que foram movimentados nas suas contas bancárias, provenientes de contribuições de empresários e pessoas anónimas, para a campanha eleitoral, as eleições de 2014, que elegeram Filipe Nyusi como Presidente da República, curiosamente, quem nomeou a actual Embaixadora em Angola. Esta tese foi igualmente sustentada por pessoas ligadas às empresas arroladas no processo e que foram ouvidas, umas na condição de declarantes e outras, de arguidos. Informaçōes em poder do Correio da Kianda, dão conta que, beneficiários dos meios adquiridos estão dispostos a testemunhar em favor de Helena Taipo, apresentando as respectivas provas.

Segundo a fonte que vimos citando, contrariamente ao que vinha sendo noticiado, os valores não foram transferidos das contas do Instituto Nacional de Segurança Social para as de Helena Taipo, mas a partir de empresas que estabeleceram parcerias para a implementação de projectos imobiliários com aquele fundo. Por asso, afiançam as nossas fontes, o Ministério Público ainda não conseguiu carrear aos autos, provas que permitam concluir que os valores depositados na conta da Embaixadora tenham origem ilícita, nem que a anterior Ministra do Trabalho tenha tido influência na aprovação dos projectos por aquela instituição.

O INSS, apesar de tutelada pelo Ministro de trabalho, é dirigido por um Conselho de Administração, com poderes para tomar decisões que são objecto de mero visto do Ministro de tutela.

Relativamente aos subsídios, à título de ajudas de custo, pagos à ex-Ministra, ao mesmo tempo que os recebia do Ministério de Trabalho, os mesmos eram feitos à base de um diploma aprovado pelo INSS, sendo que a actual Ministra, Vitória Diogo, também recebe os subsídios em iguais circunstâncias.

Texto de Luquebano Simão