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Opinião

Eles, os sabotadores, andam por aí

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Nunca a lei de Murphy fez tanto sentido na nossa realidade como nos últimos dias. (Lei de Murphy é um adágio ou epigrama da cultura ocidental que normalmente é citada como: “Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível”).

É espantosa a ingenuidade política dos promotores da passeata de motorizada em apoio ao Presidente JLO, realizada, no passado dia 05-12-21. Com o nível de descontentamento nos pícaros da audiência, alguém (certamente bem-intencionado, pelo menos no que se refere a interesses privados e não organizacionais), decidiu inventar uma passeata de apoio ao Presidente João Lourenço, exactamente no dia em que ACJ, seria confirmado como Presidente eleito na UNITA.

Diz o velho adágio, de boas intenções está o inferno cheio. E foi exactamente o que aconteceu, o que se concebeu (muito mal) para somar ganhos políticos, se revelou num autêntico pesadelo. Terão sido perto de 11.000 motoqueiros mobilizados a apoiar o Presidente João Lourenço em troca de 10.000 kwanzas cada, supostamente.

Sucede, porém, que deu tudo para o torto. Os jovens receberam o dinheiro, participaram da marcha, passeata, ou seja, o que for, mas no fim da actividade gravaram vídeos manifestando o seu “desapoio” a quem pagou para ser apoiado.

Bolas (permitam-me a expressão), como explicar tamanha discrepância ou ingratidão dos miúdos? Se alguma vez se duvidou, fica mais do que claro, que há (em quantidades industriais) falta de comprometimento político por parte de muitos camaradas. Vejamos: a mais ou menos quatro anos que o País está mergulhado na maior “perfect storm” (tempestade perfeita), caracterizada por um descontentamento social jamais visto, cujos principais penalizados são as famílias, em particular, os jovens que diariamente improvisam uma forma de ganhar o pão, lavando carros, cobrando no táxi ou “kupapateando”.

Então, os mesmos jovens que diariamente praguejam e lamentam o modelo de governação descomprometida, são esses que os estrategas entendem que com a recompensa de 10.000 kwanzas introduziriam no espaço público opiniões favoráveis ao partido? É isso mesmo?

É extremamente difícil compreender as opções propagandistas do MPLA, quando em pleno Século XXI, a autonomia de pensamento cristalizada pela liberdade de se exprimir compõe o cenário mundial. “Errare humanum est”, mas persistir no erro pode ser uma postura encomendada, para ser mais claro, os sabotadores estão ao serviço da máquina. Não se pode baixar ao nível da rale.

Política é uma actividade nobre, envolve doação ao contrário dos caçadores de poder.

Por: Rui Kandove

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