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Educação financeira para idosos: como organizar as finanças para quem já é idoso

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Cuidar das finanças pessoais na terceira idade pode ser um verdadeiro desafio. Mais afirmo que é um desafio gigantesco, como poderemos ver ao longo desta crónica semanal. Muita gente pensa que após tantos anos de trabalho e preocupações com dinheiro, é o momento de relaxar e gozar a vida. Todavia, a educação financeira para idosos é uma ferramenta essencial para garantir a autonomia, auxiliar a tomada de decisões e coibir o abuso financeiro comummente sofrido por esta parcela da população.

Consideremos que se considerar pessoa idosa, o cidadão angolano (m/f) com idade igual ou superior a 60 anos.

Noutros quadrantes do mundo esta idade pode variar, 65, 67 anos, sendo que idade de reforma com mais idade é algo aceite no hemisfério norte do planeta, com a maior longevidade média em termos de esperança média de vida, entre os 82/80 para as mulheres e para os homens 78/76, respectivamente.

Tendo em conta que em Angola temos uma democracia com 45 anos e uma população a rondar os 50% de 0 – até aos 24 anos, com esperança média de vida à volta dos 50 anos, com grandes diferenças entre as populações que habitam no litoral versus o interior em termos de habitação, educação, saúde, alimentação, meios terrestres, etc, entre outros factores não menos importantes, mas dos quais eu destaco um: a informalidade da economia nacional que está em torno dos 80%, percebe-se, facilmente, que temos um problema actual e com crescente impacto nos actuais cidadãos com idade de trabalho (com menos de 60 anos de idade), que será o facto de não terem pensão de reforma pela falta de descontos para o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) ou os valores dos salários que geraram as contribuições para o INSS, serem incapazes de manter um estilo de vida condigno de um ser humano.

Assim, e percebendo-se o grave problema que já está aí ou que virá para os que entrarem na idade de reforma, e na senda de que pretende-se valorizar a população com ensinamentos sobre educação financeira, vamos deixar, como sempre faço, alguns conselhos úteis, para quem já é reformado e recebe pensão de reforma pelo INSS:

– Antes de assumir compromissos de parentes, como empréstimos, ser avalista ou fiador de um crédito bancário, faça bem as contas e perceba as responsabilidades que é ser fiador de um filho ou sobrinho. Em caso de não pagamento de prestações, cabe ao fiador assumir os pagamentos.
– Saiba quanto recebe de pensão de reforma. Pode parecer estranho, mas garanto que muitos pensionistas não sabem quanto ganham e isto deve-se a factores como os parentes gerirem a reforma, o analfabetismo, o comodismo, etc.
– Tente gerir a reforma e como a recebe no seu banco. Não entregue o cartão Multicaixa a qualquer parente. O código “pin” deve ser alterado, portanto, substituir o código daquele que vem no envelope entregue pelo banco em conjunto com o cartão físico Multicaixa. O cartão e o “pin” deve estar consigo ou com alguém da sua máxima confiança.
– Saiba que pode receber a pensão de reforma noutro banco diferente do Banco Poupança e Crédito (BPC). Caso não tenha responsabilidades de crédito neste banco, pode abrir uma conta noutro banco, de acordo com a sua escolha e informar o INSS desta alteração para começar no mês seguinte.
– Como idoso ou idosa, a componente saúde é uma matéria «cara». Os idosos gastam grande parte do seu rendimento em medicação. Saiba o que precisa de medicação, quanto precisa e as datas de validade para gerir os seu orçamento pessoal. Caso possa adquirir medicação chamada de “genéricos” (não se trata de medicação de venda na rua nem marcas brancas. É medicação com qualidade e de laboratórios certificados, mas que o preço dos medicamentos é substancialmente mais barata do que os medicamentos «normais». Este compra inteligente fará maravilhas à sua saúde e às suas finanças.
– Tenha orçamento pessoal e familiar, caso se aplicar. Gira os seus gastos fixos e variáveis. Faça poupanças, como pude apresentar na crónica de há duas (2) semanas. Um mês poupa 5.000 Kwanzas, no outro mês tenta chegar aos 6 ou 7.000 Kwanzas.
– Como modelo de orçamento financeiro pessoal, apresento o Modelo 50/30/20:
– 50% para gastos essenciais: renda de casa, alimentação, plano de saúde, telefone, transporte, entre outros;
– 30% para supérfluos: compras, presentes para familiares ou amigos, comida em restaurante, entre outros;
– 20% para guardar: este é o percentual indicado para poupar dinheiro todos os meses e montar a reserva de emergência ou realizar um sonho. A reserva de emergência para situações de doença, de outros eventos que ocorrem com o avançar da idade.
Lembro que os percentuais são ajustáveis à realidade financeira de cada pessoa, portanto você poderá fazer um 60/20/20 ou 80/10/10.

Por fim, apresento um bloco de texto para aqueles que têm dinheiro (liquidez) e pretendem maximizar o valor do aforro (poupança). Então, vamos falar de como investir seu dinheiro após os 60 anos?

Os objectivos de uma pessoa idosa são diferentes de uma pessoa com 20 ou 30 anos. O jovem tem um longo tempo a seu favor e mais possibilidade de recuperar eventuais perdas financeiras. Não significa, no entanto, que aos 60 anos não é possível poupar dinheiro e investir na realização de algum sonho.

Para a terceira idade, recomendo investir em aplicações com alta liquidez e baixa volatilidade: depósitos a prazo, com regras claras sobre taxas de juro, periodicidade de pagamento dos juros na conta à ordem, limitações de levantamento de parte ou todo do depósito a prazo, entre outros requisitos. Os depósitos a prazo são investimentos que preservam o capital e que podem ser «sacados» rapidamente sem prejuízos.

Quanto a imóveis, por exemplo, não se encaixam nessas características porque se você precisar vender um imóvel rápido, vai ter que vender abaixo do preço justo” e toda a morosidade na venda e documentação do imóvel, em Angola, normalmente, é um empecilho.

Além disso, os idosos ainda podem considerar os seguros de vida (praticamente todas as companhias de seguros têm produtos de seguros de vida no seu portefólio), para ampliar a protecção financeira de quem contrata e da família. Porém, antes de sair contratando qualquer seguro oferecido, é muito importante entender quais são as coberturas, buscar saber a reputação da seguradora e encontrar, no final dos contas, o que tenha o melhor custo-benefício para o seu caso em particular.

Ser idoso ou idosa, isto é, quem tem mais de 60 anos de idade, é uma idade para usufruir e viver. Viver com racionalidade e sentido de que o dinheiro é finito e não renovável. Que deve ter em conta o seu estilo de vida e ter em conta as despesas que com idade mais se têm: saúde, por exemplo, e que por mais que se queira ajudar os parentes, as suas finanças devem ter capacidade actual e futura para suportar factos esperados e extraordinários e é aí que entra o Fundo ou Reserva de Emergência, que todo o idoso deve ter nos seus longos anos de vida.

Professor Daniel Sapateiro
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