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Politica

Edeltrudes Costa acusado de comprar casas de luxo em Portugal com dinheiro público

António Cassoma

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A empresa de consultoria do actual chefe de gabinete da Presidência da República, Edeltrudes Costa, está a ser acusada de burlar o Estado angolano num dos negócios que tinha como objectivo a modernização dos aeroportos nacionais, rendeu vários milhões de euros em contratos públicos, mas o dinheiro acabou por parar em Portugal, onde foi utilizado para comprar casas de luxo em Sintra e Cascais.

Edeltrudes Costa terá ainda enviado dinheiro para o Panamá, utilizando uma sucursal do então Banco Espírito Santo (BES) na zona franca da Madeira.

Desde que João Lourenço assumiu o poder, que Edeltrudes Costa é o seu braço direito, movendo-se há vários anos nos corredores do poder angolano, mesmo durante os mandatos de José Eduardo dos Santos, tendo sido ministro de Estado e Chefe da Casa Civil durante esse período.

Uma investigação da televisão portuguesa TVI24 apurou que vários contratos públicos teriam sido conseguidos com o aval do presidente angolano.

A empresa EMFC Consulting, S.A é detida por Edeltrudes Costa com poderes ilimitados, sendo que o seu mandato à frente da companhia só pode ser revogado com autorização do próprio e que não tem prazo de caducidade.

Num despacho aprovado pelo Presidente da República é mencionada a contratação da Roland Berger, num documento que prevê a subcontratação da EMFC.

O contrato refere-se a Fevereiro de 2019 e o outorgante que o assina pela EMFC é português: Nuno Monteiro Dente, que é representante da Roland Berger, desde 2018, estando assim envolvido em ambas as empresas contratadas.

Este português foi um dos integrantes da listas do Iniciativa Liberal às últimas eleições legislativas, concorrendo pelo círculo de Viana do Castelo. Contactado pela TVI para um pedido de esclarecimentos, nunca deu qualquer resposta.

Grande parte desse montante foi transferido para Portugal, o que levou o banco central a investigar as transferências e Edeltrudes Costa, tendo por base falhas graves na prevenção de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

Apesar de nunca ter ocupado cargos que lhe rendessem grandes fortunas, Edeltrudes Costa tinha, entre euros, dólares e kwanzas, o equivalente a 20 milhões de euros, segundo um extrato bancário a que a TVI teve acesso.

Com esse dinheiro que veio parar em Portugal comprou, entre outras coisas, uma casa em Cascais que custou mais de 2,5 milhões de euros, e que está no nome da ex-mulher, Ariete Faria, a presidente do Conselho de Administração da EMFC.

Através de um offshore na Madeira, e com dinheiro que passou pelo BES, comprou também um apartamento de luxo numa propriedade de Donald Trump no Panamá.

Outro contrato descoberto pela TVI refere-se a um serviço para a Comissão Nacional Eleitoral de Angola, num trabalho que a empresa de Edeltrudes Costa fez para as eleições que terminaram com a vitória de João Lourenço. Só com este negócio terá arrecadado perto de um milhão de euros.

De acordo com a estação televisiva, contactaram o presidente João Lourenço e Edeltrudes Costa, mas ambos não prestaram quaisquer esclarecimentos.

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