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“É normal, mas os colegas exageraram na dose” – reage médico ao vídeo polémico de cirurgiões a dançar em bloco operatório

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Circula nas redes sociais um vídeo, em que aparece uma equipa de médicos cirurgiões a dançar ao som de uma música alta, em pleno bloco operatório, com o paciente ainda inanimado. Na reacção, o médico Jeremias Agostinho, especialista em Saúde Pública, esclarece que é um momento normal, mas reconhece que os seus colegas “exageraram na dose” dos festejos.

O vídeo foi partilhado na noite deste domingo, na rede social Facebook, onde os internautas reprovam a atitude da equipa médica que, entretanto, consideram ter sido uma atitude irresponsável, pois o paciente, cujo género não é possível divisar, aparece ainda a receber tratamento pelo médico cirurgião principal.

A equipa de cirurgiões que aparece no vídeo é de sete profissionais, cinco dos quais a dançar ao som da música alta do artista Socorro, enquanto o cirurgião principal continua a fazer trabalhos de sutura ao paciente acamado. O sétimo é o “repórter”, que depois pede para ser substituído na missão de filmar com o celular e aparece também a dançar.

Dos sete profissionais, três são mulheres e mostram-se animadas a festejar.

Até ao momento, o Correio da Kianda não conseguiu determinar a data exacta dos factos nem o hospital em que ocorreu a situação.

Nas redes sociais, os internautas aparecem a tecer duras críticas aos profissionais e ao sistema de saúde no país pela atitude demonstrada no vídeo de 2 minutos e 37 segundos.

A reacção não se fez esperar. O médico Jeremias Agostinho, especialista em Saúde Pública, esclarece, numa mensagem posta a circular também nas redes sociais, que “o vídeo mostra médicos e a dançar e a cantar no final de operação cirúrgica”.

Jeremias Agostinho começa por esclarecer que “toda cirurgia tem um momento pré, intra e pós cirúrgico” e que “ouvir música durante a cirurgia pode até ser normal”.

Disse ainda que no vídeo “os colegas comemoravam o êxito da cirurgia e da campanha de cirurgias gratuitas que efetuaram em uma das províncias”, acto que diz ser normal.

Entretanto, “os colegas só exageraram na dose dos festejos, por ser num local onde existe um ritual ético, deontológico, de sepsia e antissepcia a ser cumprido com muito rigor”.

A razão, continua o médico, “porque o cirurgião principal continuava a fechar algumas camadas e estava muito concentrado no que fazia. O ajudante do cirurgião, ainda estava com uma pinças na mão. Ia tocando no corpo e na bata com a pinça”.

Disse ainda que “a paciente já estava semi acordada, ou seja, a cirurgia estava mesmo no fim”.

Por este facto, Jeremias Agostinho entende que para aquela equipa de cirurgiões “era só terminar o processo todo, colocar a doente no recobro (pós operatório) e depois comemoravam na sala de repouso médico”.

O médico termina a sua opinião “imparcial” dizendo que “é preciso ser sincero para que nenhum colega ou equipa cirúrgica tenha igual atitude”.