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Opinião

E estendemos o Estado de Emergência

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Numa plenária diferente, com participação via Internet e uma mostra de que a AN tem várias outras salas que chamam atenção pela positiva, o EE recebeu “aprovação” da AN. Sem qualquer voto contra ou abstenção; Afinal ainda podemos falar a mesma “língua”! É verdade, pela primeira vez sentimos uma espécie de sentido nacional, nos votos, e nos discursos.

Mas então, a extensão do EE era mesmo necessária? Depende. E bem sei que não é uma resposta plausível. Há que posicionar-se! Mas aqui, apesar do meu posicionamento que é contra a extensão do EE, entendo que seja aceitável que tenha sido este o caminho escolhido. E pela primeira vez, sentimos, senti e presumo que muitos mais, não foi apenas política.

Parece não haver qualquer problema, talvez  mera birra ou pancada provocada pelos muitos dias em casa em quarentena.  Mas pensa, se os dados fornecidos todos os dias nas badaladas conferências diárias são confiáveis, (e não há motivos para desconfiar), os números nos permitem ousar e ter confiança: poucos doentes e todos controlados. A pergunta é, se esta é a situação, porque carga d’aguas estender o EE? Não bastava apertar ou mesmo impedir entradas e saídas do país? Não se terá exagerado? Ainda mais sabendo que o EE carrega consigo contornos nefastos para a vida dos cidadãos, que vivem e se fazem na informalidade. Não estará a empurrar as massas para a tão propalada desobediência? E pior, uma que pode atingir níveis de desobediência generalizada. E não será pela ignorância e/ou falta de informação como se quer fazer crer, mas pelo bicho que mata de forma implacável  e escolhe os menos abastardos, a fome!

E se pensarmos que se estendeu para se evitar que a doença avance, não faz muito sentido, fica difícil entender a ideia de permitir que as pessoas voltem para as suas províncias. O que consubstancia em si uma grande possibilidade de disseminar a doença. Se os doentes podem não apresentar qualquer sintomáticos, há sim a possibilidade de nos autocarros e/ou aviões irem doentes e contaminarem outros.

E mais, no diferencial com o EE antigo, neste período a venda ambulante e a venda nas praças ficam reduzidas a 3 dias; e numa fase em que também reduziram grandemente o número de mercados; uma incongruência tal que no mínimo assusta, o Estado prorroga o EE para evitar o risco de contaminação, mas aumenta a possibilidade de contaminação! Pois é até nisto não faltam as típicas questões dignas de estudo, que só o Estado angolano consegue criar. Se uma não bastasse, ainda tem outra: os agentes que no fundo reprimem quem se atreve a ir a rua também andam completamente desligados de qualquer tipo de protecção. E não me venham dizer que ao menos lavam as mãos com a regularidade que a mídia insiste em fazer leis.

Enfim, estamos literalmente a lutar contra o COVID a nossa maneira, usando todos os argumentos que temos a disposição, inclusive tanques de guerra. Se serve para diagnosticar ou curar, um dia certamente aquele responsável do Estado que pensou em metê-los na rua virá explicar.

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